Já há um consenso dentro do Palácio do Planalto: a necessidade da saída do ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. A grande dúvida no momento é a conveniência de ele deixar o governo agora ou só na reforma ministerial, que deve ocorrer depois de janeiro, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso espera ter concluído no Congresso as votações mais importantes para o ajuste fiscal. ‘‘O que o Mendonça de Barros poderá fazer no governo nos próximos quatro anos, já que perdeu a credibilidade?’’, questionava ontem um influente conselheiro do Planalto. Amanhã, o ministro deverá encontrar-se com o presidente para um café da manhã, quando deverão definir a sua situação.
Preocupado com a dimensão política que tomou a divulgação do grampo telefônico com conversas de Mendonça - em que o ministro aparece manipulando o processo de privatização das empresas do Sistema Telebrás - FHC passou o fim de semana conversando com ministros e assessores próximos e aproveitou para ler todo o noticiário sobre o assunto. No início da noite de sábado, ele já tinha lido as revistas semanais do País, além dos jornais. FHC ficou preocupado com a linha dos editoriais dos jornais mais influentes do eixo Rio-São Paulo que pediam a saída de Mendonça. A segunda sensação do presidente foi de alívio.
As revistas não trouxeram nenhuma nova revelação bombástica em relação ao grampo telefônico. Pelo contrário. A divulgação na íntegra das conversas publicadas pela revista ‘‘Época’’, avaliou, reforçava a defesa do ministro, de que estava tentando conseguir melhor preço para a venda das teles. A íntegra das conversas revela ainda que FHC estava sendo informado com detalhes de todo o processo de privatização. Foi com esse argumento que o presidente conversou no telefone com um ministro na noite de sábado. Ele teria dito que seria injusto demitir Mendonça. Segundo FHC, existiria mais pressão política contra o ministro do que fatos reais.
Para evitar o constrangimento de demitir um ministro - coisa que FHC nunca fez - o Planalto já pensa numa estratégia simples: Mendonça entregaria o cargo em caráter irrevogável, alegando desconforto em permanecer. O mesmo seria feito pelo presidente do BNDES, André Lara Resende. Com isso, o presidente ficaria livre da alegação de ter cedido às pressões dos aliados, principalmente o PFL e o PMDB, o que poderia demonstrar fraqueza de comando, fragilizando bastante os quatro anos do segundo governo.

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