O presidente Fernando Henrique Cardoso deve decretar intervenção federal no Espírito Santo, onde o governador José Ignácio Ferreira foi envolvido em várias denúncias de corrupção e pode vir a ser cassado pela Assembléia Legislativa do Estado. FHC foi convencido pelo PSDB de que o governo e o partido precisam dar demonstrações públicas cabais de intransigência com a corrupção, bandeira que os tucanos tentam levantar.
O governo resistia à ideia por uma questão técnica: a Constituição determina que, durante a intervenção em um Estado, não podem ser votadas emendas à Constituição. Entrar no Espírito Santo, portanto, significaria a interrupção da votação da emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), cuja aprovação é vital para o governo federal fechar as contas em no ano que vem.
A saída em estudo é uma intervenção cirúrgica, que dure pouco tempo, permitindo ao Congresso votar a emenda da CPMF até o final do ano. Outra hipótese também é cogitada: a intervenção branca, com o governo federal indicando nomes para dirigir o banco e a Secretaria da Fazenda estadual.
O problema capixaba é complexo porque o simples afastamento do governador José Ignácio não é uma solução. O vice-governador, Celso Vasconcellos, também do PSDB, fez uma aliança com o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, José Carlos Gratz (PFL), e tem a desconfiança dos tucanos.
Ontem, já se discutia em Brasília os nomes para interventor no Espírito Santo. Um dos cotados é o deputado federal José Carlos Fonseca (PFL), ex-chefe de gabinete do ministro da Fazenda, Pedro Malan. Fonseca foi indicado a FHC pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC).
O problema é que Fonseca foi secretário da Fazenda de José Ignácio e boa parte das acusações que pesam atualmente contra José Ignácio teria sido praticada à época em que o deputado estava no governo. O próprio José Ignácio se encarregou de ‘‘bombardear’’ a indicação ao Planalto. FHC também recebeu a sugestão, feita por líderes capixabas, de indicar um nome sem vinculações políticas com o Estado. De preferência alguém sem filiação partidária, que se encarregaria de ‘‘arrumar a casa’’ para devolvê-la saneada mais adiante.

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