Planalto enfrenta a primeira crise com PMDB
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - O PMDB instalou-se na Esplanada dos Ministérios há apenas 16 dias, mas o Palácio do Planalto enfrenta a primeira crise política com o novo aliado. Alertado pelo presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), de que a insatisfação crescente da bancada peemedebista ganhara proporções de crise, com 11 dos 22 senadores rebelados, o governo entrou em campo ontem logo pela manhã.
Na tentativa de contornar a situação, agravada pela confirmação de que o PMDB perdera para o PTB a liderança governista no Congresso, o ministro da Coordenação Política e Assuntos Institucionais, Aldo Rebelo, bateu à porta da casa de Sarney no fim da manhã. Além dele, também foram convocados a assumir o papel de bombeiros o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e o presidente nacional do PT, José Genoino. O nível de tensão, que teve início na segunda-feira, com a decisão do Planalto de indicar o senador Fernando Bezerra (PTB-RN) como líder do governo no Congresso, aumentou muito nas últimas 48 horas com novas dificuldades de relacionamento com o PT nos Estados e pendências envolvendo cargos federais reivindicados pelo PMDB.
''Eu também tenho procurado apagar incêndios porque estamos tendo sérios problemas políticos nos Estados com os partidos da base, inclusive o PT'', disse, na reunião, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Segundo Calheiros, o mais grave é que a simples ocupação de espaço, com as nomeações, não resolvem mais os conflitos com o PMDB, que precisam ser contornados. ''A primeira coisa a fazer é aprimorar a relação política'', pregou Calheiros.
A indicação de Bezerra provocou irritação generalizada no PMDB do Senado, que contava com o cargo de líder para o senador Maguito Vilela (GO). Goiás foi a primeira regional do partido a apoiar Lula depois de romper com o governo tucano e abandonar os cargos até mesmo o Ministério da Justiça, que detinha no primeiro e segundo escalões federais.
''O PT nos Estados não aceita as nomeações do PMDB para as superintendências do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) nem para os cargos federais do Ministério das Comunicações'', protestou Vilela. O PMDB não se conforma com a troca de um ''lulista de primeira hora'', de uma bancada de 22 senadores, por um ex-ministro (da Integração Nacional) e ex-líder do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de uma bancada de três parlamentares no Senado.
''Minha cidade (Jataí) deu 71% dos votos a Lula e agora o PT prefere se aliar ao PSDB e o governo também prestigia os tucanos de Goiás, humilhando o PMDB'', queixou-se Vilela. ''Não precisa dar cargos, mas, se não nos querem, avisem logo.''
Fiel ao estilo discreto, Sarney disse que a conversa foi muito boa, mas que nada ficou decidido. ''Marcamos um novo encontro para segunda-feira'', contou. Na lista das pendências que envolvem cargos, está a nomeação de Silas Rondeau, hoje no comando das Centrais Elétricas do Norte do País (Eletronorte), para a presidência das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás).
Apadrinhado por Sarney, o nome de Rondeau agrada o governo. O obstáculo do PMDB é que o PT da ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff, entrou na briga pela Eletronorte e a cúpula peemedebista recusa-se a abrir mão desta estatal. ''O PMDB quer manter a Eletronorte, ampliando seu espaço, e não apenas trocar uma presidência de estatal por outra'', explica um dirigente do partido.
Além de Goiás, há problemas no relacionamento entre peemedebistas e petistas do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. ''Em São Paulo, onde houve conversas, não há acordo para 2006 e o (Orestes) Quércia (ex-governador) já fala até em votar no PSDB do (José) Serra (ex-senador)'', conta um dirigente do PMDB.


