O Palácio do Planalto deu versões diferentes para a saída de Waldir Pires do Ministério da Defesa. Ele foi substituído pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal STF) Nelson Jobim. De manhã, o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, disse que Lula pediu a Pires que ele entregasse o cargo.
''O presidente Lula reuniu-se esta manhã com o ministro da Defesa, Waldir Pires, e pediu a ele que entregasse o cargo. O presidente agradeceu ao ministro Pires pela altivez com que assumiu e conduziu o Ministério da Defesa. No entanto, o presidente ponderou ao ministro que, neste momento, era necessário um novo perfil para conduzir o ministério e, particularmente, a crise do setor aéreo'', disse Baumbach.
À tarde, a assessoria do Palácio divulgou nota informando que Lula não pediu o cargo e que foi o ex-ministro que pediu para ser exonerado. ''A informação correta é que Waldir Pires solicitou a sua exoneração ao presidente, a qual será formalizada nesta quinta-feira, no Diário Oficial da União'', diz nota do Palácio.
Ontem, na posse de Jobim, Lula disse era muito difícil para ele trocar um ''companheiro'' de sua equipe. ''O momento mais difícil é a troca de um companheiro por outro companheiro. Quem está na política sabe que isso às vezes é necessário'', disse o presidente.
A Folha apurou que a versão final, dada por Lula, atendeu a um pedido de Pires. É que o ex-ministro não queria passar a impressão de ter sido derrotado nem incapaz, uma vez que foi duramente criticado no agravamento da crise aérea, depois do acidente com o Airbus-A320 da TAM.
''Quando você (Waldir Pires) me comunicou sua decisão de sair, e eu aceitei é porque compreendo o momento que estamos vivendo. Não permito a quem quer que seja interpretar que o companheiro Waldir deixou o governo sem prestar os mais relevantes serviços'', disse Lula.
A Folha apurou que Lula pediu mesmo o cargo a Pires. Mas que seria melhor para o Planalto e para o ex-ministro a informação de que ele pediu ser exonerado. Dessa forma Pires não deixa o governo com a marca de ser o responsável pela falta de comando para resolver a crise aérea.
Para o Planalto, essa versão não irrita setores do PT. O ex-ministro é uma das figuras mais respeitadas dentro do partido e seu trabalho à frente do CGU (Controladoria Geral da União) foi elogiado.
A troca também alterou a distribuição de cargos no governo entre os partidos que integram a base aliada do presidente Lula. A vaga de Pires, pertencia à cota do PT. Com a nomeação de Jobim o cargo passou a ser controlado pelo PMDB.
A situação ficou insustentável após o acidente com o avião da TAM, na semana passada, que deixou 199 mortos, o maior da história do país.

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