Planalto descarta saída de Dirceu
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004
Agência Folha 
Brasília - O Palácio do Planalto descartou ontem a saída do ministro da Casa Civil, José Dirceu, devido às suspeitas de cobrança de propina envolvendo Waldomiro Diniz, ex-assessor do ministro. O porta-voz da Presidência, André Singer, afirmou que ''não há nenhuma cogitação de que o ministro-chefe da Casa Civil deixe o governo''. A frase foi repetida por Singer três vezes diante de todos os questionamentos da imprensa sobre uma suposta crise no governo.
Segundo o porta-voz, o pronunciamento, que acontece normalmente no final do dia, foi antecipado devido à agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele negou que o presidente tenha realizado ontem reunião de coordenação de governo para discutir a crise. Segundo o porta-voz, o ministro despachou esta manhã com Lula, conforme ocorre todos dias.
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicada ontem, Dirceu teria colocado o cargo à disposição do presidente Lula em reunião segunda-feira de manhã no Palácio do Planalto. Anteontem, Dirceu avisou às presidências da Câmara e do Senado e a líderes aliados que, caso haja qualquer CPI para investigar o caso, ele vai se afastar do cargo para se dedicar ''à defesa''.
Ontem, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Maurício Corrêa, sugeriu que o ministro se afaste do cargo enquanto durarem as investigações do caso Waldomiro Diniz.
A crise política foi instalada na sexta-feira passada com a divulgação pela revista ''Época'' do conteúdo de um vídeo em que Waldomiro Diniz aparecia negociando propina e contribuição para campanhas eleitorais com um empresário de bingo.
Depois de ter sugerido que o ministro Dirceu se afastasse temporariamente do cargo, o presidente do STF recuou de suas declarações e disse que foi mal interpretado e que sua resposta foi induzida pela imprensa. O presidente do STF afirmou também que não iria retirar o que havia dito anteriormente.


