Planalto declara guerra ao malufismo
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quinta-feira, 19 de dezembro de 1996
Agência Estado<br> De Brasília 
Convencido de que o PPB do prefeito Paulo Maluf usou a relação de deputados devedores do Banco do Brasil para derrubar a proposta de reeleição, o Planalto decidiu declarar guerra ao malufismo e a Polícia Federal foi acionada para o contra-ataque. A partir de amanhã, a PF entrará no caso para investigar a manipulação da relação pelo PPB.
Quiseram desestabilizar a reeleição, pois agora aguentem a guerra, ameaçou um ministro de Fernando Henrique que acompanha o caso. Os federais aguardam apenas a conclusão da sindicância interna do Banco do Brasil que apura o vazamento de dados sob sigilo bancário, para entrar em ação. A polícia vai bater à porta do PPB, avisou o ministro.
O Palácio do Planalto está convencido de que o prefeito Paulo Maluf teve acesso à relação do PPB e aprovou a estratégia de tornar público o vazamento, antes mesmo que os deputados nela citados tivessem conhecimento do caso. O grupo palaciano acredita que a lista do PPB foi extraída de um controle geral do Banco do Brasil, que inclui a relação de todos os parlamentares que operam no vermelho. Por este raciocínio, ela serviria para acusar o governo ainda no final de novembro, caso Maluf não conseguisse aprovar a recomendação contra a reeleição-já, na reunião da executiva nacional do PPB.
Responsabilizados pelo vazamento, o ministro da Coordenação Política, Luiz Carlos Santos, e o secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas, já fizeram um acordo de paz para atacar o PPB. O acerto entre os dois, estremecidos desde que a revista Veja publicou reportagem apontando um assessor do ministro como autor da acusação ao secretário-geral, foi patrocinado pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, e sacramentado ontem, em reunião da qual participaram também o vice-presidente Marco Maciel e o presidente Fernando Henrique Cardoso.
As acusações contra o ministro Santos e os boatos de sua demissão acabaram mobilizando os caciques do PMDB da Câmara em favor do companheiro de bancada e da manutenção da cadeira de ministro nas mãos do partido. Revoltado com o deputado Delfim Netto (PPB-SP), que espalhou no Congresso a versão de que Santos responsabilizara Jorge pela relação, o ministro teve uma boa surpresa na noite de terça-feira. Recebeu a visita repentina de 15 peemedebistas comandados pelo líder Michel Temer (PMDB-SP) e pelo deputado Newton Cardoso (PMDB-MG).
Foi o mineiro quem abriu a porta de seu gabinete com um sorriso e a frase: Você é nosso, Luiz Carlos; o PMDB está com você. A solidariedade foi geral. Esta história é uma montagem que está virando um Delfimgate, disse o deputado Alberto Goldman (SP), numa referência ao escândalo Watergate, que provocou a renúncia do presidente americano Richard Nixon.
O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que também participou da comitiva, salientou que a decisão de renovar a confiança no ministro Santos foi muito oportuna. Precisamos estar unidos porque o governo agora está alerta, explicou. O Planalto já percebeu que, para o Maluf, a sucessão presidencial se decide agora e ele fará tudo para complicar a reeleição.
Pelo menos dois altos funcionários do Banco do Brasil serão incriminados pela auditoria interna do banco que apura a quebra do sigilo bancário de parlamentares do PPB. Um terceiro, que não ocupa cargo de confiança, será responsabilizado pelo vazamento da lista para funcionários do partido, às vésperas da convenção nacional do partido, em novembro. O BB deve antecipar para hoje a divulgação dos resultados da sindicância, abrindo caminho para que a Polícia Federal comece a encostar o PPB malufista no muro, como deseja o Palácio do Planalto.


