Brasília - O Planalto considerou ''inconsistentes'' as explicações do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, à revelação de que franqueou os gabinetes da pasta à ação de lobistas que negociam a emissão de registro sindical. Reportagem do jornal ''O Estado de S. Paulo'' mostrou neste domingo que ex-funcionários operam dentro do ministério negociando facilidades.
''O ministério ou o ministro tem de se manifestar'', disse um auxiliar da presidente Dilma Rousseff ao lembrar que tráfico de influência é um problema ''grave''. A avaliação de assessores da presidente é de que não se pode deixar a revelação sem uma resposta cabal, com justificativas que se sustentem. Irritou o Palácio a explicação superficial oferecida pela assessoria de Lupi. Segundo a pasta, o ''Ministério não dispõe de informações sobre a vida profissional de prestadores de serviços contratados por empresas interpostas''.
Na avaliação de auxiliares de Dilma, Lupi está seguindo, neste momento, trajetória idêntica a do ministro Orlando Silva, que deixou o Ministério do Esporte há duas semanas.
Integrantes da equipe da presidente reconhecem que Lupi está resistindo e contra-atacando, mas acham também que o cerco está se fechando com o surgimento, dia após dia, de denúncias que se aproximam da figura do ministro. Até agora, o grande trunfo de Lupi era que as denúncias não o afetavam diretamente.
No fim de semana, a revista ''Veja'', por exemplo, publicou reportagem mostrando que Lupi voara, para percorrer o interior do Maranhão, em um avião providenciado por uma ONG com contratos suspeitos pelo ministério.
Outro sinal de que as coisas não andam bem para Lupi é que não há ninguém no Planalto que apareça publicamente defendo-o das acusações. A própria presidente Dilma, que fez isto nos episódios anteriores, desta vez, com Lupi, preferiu ironizar aos ser questionada se ele ainda tinha a confiança dela ou se ele estava seguro no cargo.
Preferiu dizer que não responderia a perguntas sobre o caso e quase encerrou a entrevista concedida depois da sanção da lei que alterava o Supersimples, na quinta-feira, quando os jornalistas insistiram no tema e se ela não ia fazer uma defesa publica dele, como fez dos outros ministros. ''Vamos, vamos... Além disso, o que mais que a gente quer conversar?'', desconversou a presidente, depois de dizer que este assunto era ''passado''. A irritação de Dilma já atingira este nível antes mesmo da revelação de ''Veja'' e do ''Estado''.
Neste momento, a intenção da presidente é evitar que novo ministro deixe o governo, para não ser pautada, mais uma vez, pela imprensa. Mas na mesma entrevista, avisou que lia tudo que os jornalistas publicavam.

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