Planalto confirma ida de Cardozo para AGU
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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Das agências 
Brasília - A presidente Dilma Rousseff confirmou ontem, em nota, a saída do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e sua nomeação para chefia da Advocacia Geral da União (AGU), em substituição ao ministro Luiz Inácio Adams que solicitou o seu desligamento por motivos pessoais. A nota informa ainda que assumirá o cargo no lugar de Cardozo o ex-Procurador Geral da Justiça do Estado da Bahia, Wellington César Lima e Silva.
Com poucos quadros de confiança à disposição no momento em que vive a maior crise política de seu mandato, Dilma pediu que Cardozo permanecesse na Esplanada, mesmo com o pedido dele para deixar o governo após cinco anos no cargo. Auxiliares da presidente dizem que ela fez o aceno ex-presidente Lula e ao PT, mas que deixou claro que não vai abrir mão de Cardozo, que agora fica responsável pela defesa de seu governo no processo de impeachment e pelas negociações dos acordo de leniência das empresas investigadas na Lava Jato.
Líderes da oposição no Congresso afirmaram ontem que Lula e o PT trabalham para barrar investigações da Polícia Federal e são os responsáveis pela saída do ministro, que era alvo de ataques de petistas que avaliam que a PF faz investigação seletiva nas apurações que envolvem políticos, perseguindo Lula e poupando tucanos suspeitos de irregularidades.
"O que o PT e Lula querem é que o ministro da Justiça controle as atividades da Polícia Federal e as investigações que atingem membros do governo e do partido. Sem ter como se explicar, os investigados querem impor uma mordaça aos investigadores. Típico daqueles que são autoritários e querem colocar o Estado a serviço deles", afirmou em nota o líder da bancada do PSDB, Antonio Imbassahy (BA). O líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), disse temer que o novo ministro da Justiça sufoque as investigações da PF com restrições orçamentárias. "A saída de Cardozo foi uma exigência do ex-presidente Lula, que está sendo investigado."
Já o senador Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM no Senado, comentou que a pressão do PT sobre Cardozo para que ele interferisse nas investigações da Lava Jato "constrange e envergonha o País". O Solidariedade foi na mesma linha: "No PT as coisas funcionam assim, aos que não cumprem a ordem do rei, forca", comentou o presidente do partido, o deputado Paulo Pereira da Silva (SP).
MUDANÇA ADMINISTRATIVA
Em linha oposta, o líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), minimizou a saída do ministro da Justiça e considerou seu pedido como uma "mudança administrativa de rotina". Para ele, as investigações da Operação Lava Jato, comandada pela Polícia Federal, deverão continuar sem a interferência direta do próximo ministro.
Ex-ministra da Casa Civil no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) também negou a existência de pressão política. "É natural ministros deixarem as pastas. Não é o primeiro ministro a ser trocado e com certeza não será o último. Acho natural. O ministro já estava há bastante tempo e já havia demonstrado interesse em deixar o posto." Os dois senadores afirmaram que o próximo ministro que assumir o comando da Justiça deverá ter "o mesmo comportamento de Cardozo". "Qualquer um que entrar vai ter a postura e o respeito a autonomia da Polícia Federal", afirmou Gleisi.


