Planalto aposta em lenta reversão
No momento, o Palácio do Planalto não quer dar a impressão de que está apavorado e aposta numa lenta reversão desse quadro a partir da recuperação econômica. Mas sabe que não pode esperar muito e já está sensível aos apelos dos políticos para que o governo crie fatos que ajudem a melhorar sua popularidade.
A semana deverá ser marcada por mais um discurso de cobranças no Congresso, pois os políticos estão ansiosos. A ponto de levar o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, a atropelar o presidente e anunciar, na sexta-feira passada, o congelamento dos preços da gasolina. O gesto deixou perplexo o Planalto - que guardava o anúncio para FHC - mas tende a se repetir se FHC não tomar logo a dianteira.
Por isso, talvez, não se possa esperar até setembro chegar para divulgar medidas nas áreas de habitação popular, construção civil e financiamento para pequenos empresários e agricultores, entre outras que o governo vem discutindo.
Na pesquisa CNT-Vox Populi, o movimento dos caminhoneiros contou com aprovação de 68% da população. Segundo o documento divulgado ontem, apenas 20% dos entrevistados desaprovaram o movimento, 8% foram indiferentes e 4% não souberam ou não quiseram responder.
Ainda sobre o movimento, 93% dos entrevistados afirmaram ter tido conhecimento da paralisação, contra 6% que não souberam da greve. A pesquisa perguntou ainda se o entrevistado era a favor ou contra a proposta do governo que aumenta de 20 pontos para 30 pontos o limite de infrações para a suspensão da carteira de motorista: 52% responderam que são a favor e 34%, que são contra. O restante não soube ou não quis responder.
O presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade, disse ontem que a melhor solução para o País seria um pacto social que reunisse todos os poderes e todas as instituições. Ele disse que o governo tem de atacar mais fortemente algumas questões das áreas econômica e social.
Segundo ele, o maior erro na área econômica foi o governo ter segurado o câmbio por tanto tempo, porque quando foi feita a liberação o ‘‘câmbio explodiu’’. Andrade avaliou que os créditos estão mais caros e o governo precisa encontrar um solução de curto prazo.
Questionado sobre a permanência do ministro Pedro Malan no governo, Andrade respondeu: ‘‘Se for necessária mudança na política econômica para uma política mais desenvolvimentista, esta mudança deve ser avaliada.’’ (Helena Chagas/Agência O Globo e A.F.)

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