Planalto apoia investigação contra Perillo
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terça-feira, 13 de abril de 2010
Leonencio Nossa<br>Agência Estado 
Brasília - O Palácio do Planalto defendeu o processo de investigação do dossiê sobre supostas contas do senador tucano Marconi Perillo (GO) no exterior. Em entrevista ontem, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que a análise dos documentos que mostram uma possível movimentação bancária em paraísos fiscais de um dos mais ferrenhos adversários do governo teve até agora uma tramitação correta. ''O governo, as instituições, tem mecanismos próprios para acompanhar qualquer denúncia'', disse. ''Um funcionário ao receber (uma denúncia) encaminha aos mecanismos próprios.''
Reportagem publicada ontem por ''O Estado de S.Paulo'' informou que o dossiê contra Marconi Perillo circulou no Planalto antes de chegar ao Ministério Público e ao Ministério da Justiça. O líder do PR na Câmara, deputado Sandro Mabel (GO), confirmou que tratou com o chefe de gabinete pessoal da Presidência, Gilberto Carvalho, da existência das supostas contas do tucano em paraísos fiscais como Suíça, Ilhas Virgens Britânicas, Nassau e Bahamas. Carvalho disse, por meio de assessores, que conversou com Mabel sobre as suspeitas, mas não teria visto consistência nos elementos apresentados pelo deputado.
Ontem, após almoço com líderes de partidos aliados, o ministro Alexandre Padilha negou que o governo tenha usado a estrutura oficial para atacar Marconi Perillo, um dos adversários que mais irritam Lula. ''De jeito nenhum. Esse governo não toma atitudes como essa em relação aos seus adversários nem em relação aos seus aliados'', disse o ministro.
À tarde, o presidente em exercício, José Alencar, evitou comentar a notícia do dossiê que cita o senador tucano. Como é de praxe nas polêmicas envolvendo representantes do governo e mesmo da oposição, Alencar disse, em entrevista, que não tinha informações para esclarecer o caso envolvendo o senador tucano. Os papéis que estão sendo analisados pelo Ministério da Justiça citam supostas movimentações do tucano nos bancos Wachovia, UBS, Citibank, Credit Suisse e Bank of America.
Até 2005, Lula mantinha uma relação fraterna com o então governador de Goiás, Marconi Perillo. O rompimento surgiu durante o escândalo do mensalão, naquele ano, quando o tucano deu entrevistas afirmando que tinha relatado pessoalmente ao presidente sobre a existência de um esquema ilegal de repasse de recursos para parlamentares. Na vice-presidência do Senado, Perillo também irritou o Planalto em uma série de votações. No ano passado, o governo atuou em todas as frentes para evitar que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), alvo de denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e nepotismo, fosse derrubado. O principal temor dos governistas era ver Perillo no comando da casa.


