Agência EstadoMomento de decisãoMendonça Filho, autor da emenda, é cumprimentado por Inocêncio Oliveira (dir): certeza de vitória‘‘

Voto a voto, o presidente Fernando Henrique Cardoso conferiu com os líderes dos partidos aliados a tendência a favor da tese da reeleição e concluiu que a emenda que o beneficia deve receber a aprovação de 327 a 340 deputados. Os debates terão início hoje às 16 horas. Os líderes calculam que às 19 horas será possível encerrar as discussões para se passar ao processo de votação.
Depois das análises de listas e mais listas, os líderes do PMDB, Michel Temer (SP), do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), e do PSDB, José Aníbal (SP), disseram a Fernando Henrique que não é preciso temer a obstrução dos oposicionistas e que a votação será pelo processo eletrônico tradicional.
O presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), chegou a pensar em fazer a votação pelo processo aberto e ostensivo, com a chamada de cada parlamentar, por Estado. O método ostensivo foi utilizado no dia 29 de setembro de 1992 pelo então presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, para a abertura do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor. É um método que expõe o parlamentar, porque o voto é anunciado no microfone. No caso da votação eletrônica, os votos são revelados simultaneamente.
A reunião do alto comando da reeleição, marcada para as 20h30, com o presidente Fernando Henrique, foi cancelada. ‘‘Não é mais necessária’’, afirmou Inocêncio Oliveira. Eles chegaram à conclusão de que seria melhor continuar a vigiar os votos, em vez de se ficar fazendo uma reunião atrás da outra, no Palácio da Alvorada.

Até os cadáveres
serão ressuscitados’’,
diz o deputado
Aloysio Ferreira (PMDB-SP)



Para garantir a presença maciça de deputados em Brasília, hoje, os aliados tiveram o cuidado de ligar para os gabinetes de todos os parlamentares da base de sustentação do governo. ‘‘Até os cadáveres serão ressuscitados’’, disse o deputado Aloysio Nunes Ferreira (PMDB-SP). Pensou-se em um jatinho para levar o deputado Carlos Alberto (PSDB-RN) de Natal a Brasília, mas não foi preciso.
Carlos Alberto, que se prepara para um transplante de medula, já está em Brasília. O serviço médico da Câmara deverá pô-lo em uma sala especial. Carlos Alberto não pode ter contato com multidões e nem pode inspirar ar poluído como o de um plenário cheio. O deputado Zé Gomes da Rocha (PSDB-GO), outro que está doente, prometeu aparecer em Brasília nesta terça-feira.
O líder do PMDB, Michel Temer (SP), garantiu aos colegas do alto comando que levará pelo menos 50 votos do partido a favor da reeleição. O PFL contabilizou um último dissidente: Ricardo Barros (PR). O PSDB também tem um: Almino Affonso (SP), grande amigo de Fernando Henrique, mas contrário à reeleição sem plebiscito ou referendo.
Os nove deputados goianos foram ao senador Iris Rezende (PMDB-GO), dissidente, candidato à presidência do Senado, e o comunicaram de que ou votarão em bloco a favor ou contra. A responsabilidade pelo voto deles, disseram, será do senador. ‘‘Nosso voto será igual, a favor ou contra’’, disse o vice-líder do governo, Sandro Mabel. ‘‘Torço para que seja a favor’’.

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