Brasília- Uma negociação bem-sucedida entre os líderes da base do governo e o PSDB contribuiu para desobstruir a votação dos destaques à proposta da reforma tributária no plenário da Câmara. Pelo acordo, a administração federal aceitou incluir no texto quatro projetos dos tucanos. Em troca, o partido comprometeu-se a retirar 12 emendas aglutinativas que havia apresentado à proposição, facilitando, assim, a conclusão da reforma em primeiro turno na Casa.
Antes que o entendimento fosse fechado, no fim da tarde, o vice-líder do PT na Câmara Paulo Bernardo (PR) reuniu-se com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para avaliar os impactos das mudanças sugeridas pelo PSDB. A principal delas institui o chamado Super Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), uma forma de recolhimento simplificado de impostos pelas pequenas e microempresas, que englobaria também os tributos estaduais e municipais, e não apenas os federais, como ocorre hoje.
Outras duas modificações afetam o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que passará a ser cobrado no Estado de destino das mercadorias, com a reforma dos impostos. Após a transição para o destino, a alíquota cobrada pelos governos de Estados produtores será de 4% e não de, ''no máximo, 4%'', como estabelecia o texto aprovado em plenário. ''São Paulo não aceita o ICMS totalmente no destino porque poderia perder até R$ 5 bilhões por ano, caso a alíquota fosse zero na origem'', afirmou o deputado Walter Feldman (PSDB-SP). Com a porcentagem de 4%, a perda cai para R$ 2 bilhões.

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