O PL (Partido Liberal) e o PP (Progressistas) têm, atualmente, as maiores bancadas da CML (Câmara Municipal de Londrina), com seis vereadores cada. Mas a tendência é que a sigla comandada em Londrina pelo deputado federal Filipe Barros (PL) aumente sua representatividade no Legislativo nos próximos meses, de olho nas eleições de outubro.

Fora da janela partidária, prevista apenas para o começo de 2028, a troca de partido por vereador depende da anuência da legenda pela qual foi eleito para evitar questionamentos por infidelidade partidária e eventual perda do mandato.

A FOLHA apurou que uma dança das cadeiras está prestes a acontecer na Câmara. É o caso da vereadora Anne Moraes (PL), que está em conversas avançadas com o Avante. Procurada, a parlamentar disse que recebeu convites de vários partidos, inclusive para concorrer a deputada estadual ou federal em outubro, mas garantiu que não tomou nenhuma decisão até o momento.

“Estou conversando com meu grupo político e dialogando com diversas lideranças e pessoas próximas, avaliando cenários e ouvindo opiniões, para que qualquer decisão seja tomada de forma responsável e no tempo adequado”, disse Anne, que confirmou que o Avante faz parte das “análises” que estão sendo feitas.

O Avante também confirmou que está conversando com Anne sobre o “cenário eleitoral" deste ano. “No entanto, não temos nenhuma confirmação de que a vereadora será filiada ao Avante, mas se essa for a sua decisão, será muito bem recebida”, diz em nota o presidente municipal do partido, Alex Canziani dos Santos Silveira.

Mesmo com a possível saída de Anne, o PL está articulando a chegada de pelo menos três vereadores, o que faria com que a legenda ficasse com a maior bancada da CML, com oito cadeiras. Foram convidados Jessicão (PP), Sídnei Matias (Avante) e Deivid Wisley (Republicanos), conforme apurou a reportagem.

No caso de Jessicão, a mudança partidária é questão de tempo. No final de 2025, ela e Barros se reaproximaram, e o deputado chegou a fazer um convite público para a filiação da vereadora durante evento do PL Mulher em Londrina, em novembro. A parlamentar fez mais de 15 mil votos em 2024 e deve concorrer a uma vaga na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná).

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O presidente municipal do PL, Marcelo Urbaneja Filho, afirmou, em nota enviada à FOLHA, que o partido “está a poucos passos de alcançar a maior bancada de vereadores da Câmara de Londrina”.

“Estamos trabalhando nesse objetivo sob a liderança de Filipe Barros, nosso pré-candidato ao Senado. E tenho certeza que essa nova demonstração de força do partido vai deixar muito analista político de orelha em pé”, disse Urbaneja Filho, que citou conversas com um “recordista de votos”, numa possível referência a Deivid Wisley, que fez mais de 16 mil votos na sua reeleição e foi o vereador mais votado da história de Londrina.

“Quanto à decisão da vereadora Anne, agradecemos a ela pela boa parceria que vinha desde 2024, desejando sucesso em sua nova jornada partidária”, concluiu.

Procurado, Deivid Wisley afirmou que recebeu convites de vários partidos, mas que a decisão ainda não está tomada. "Ainda não defini nada sobre partido."

Sídnei Matias afirmou que também recebeu convite para trocar de partido, mas que ainda não se posicionou sobre uma eventual mudança de legenda.

E O EXECUTIVO?

A mudança na configuração da Câmara também terá repercussões importantes nos interesses do prefeito Tiago Amaral (PSD) a partir deste ano. Ao longo de 2025, o PL, apesar de ter coligado com o chefe do Executivo nas eleições municipais, não garantiu seis votos em todas as matérias de interesse da prefeitura.

Na redução dos aportes do município à Caapsml (Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina), por exemplo, pauta que gerou polêmica no final do ano passado, Santão (PL) e Michele Thomazinho (PL) foram contrários, mesmo com a presença de Barros intercedendo pelo projeto. O líder do partido, inclusive, já deixou claro que os parlamentares terão liberdade para se posicionar na CML.

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