Brasília - O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato disse ontem à CPI dos Correios desconhecer o conteúdo do envelope que um funcionário da Previ - fundo de pensão da instituição - buscou na agência do Banco Rural do Rio de Janeiro a seu pedido.
Pizzolato disse ter recebido um telefonema pela manhã em seu celular corporativo de uma pessoa da empresa DNA, de Marcos Valério Fernandes de Souza, que prestava serviços ao BB. Nessa ligação, teriam pedido a ele que buscasse documentos no endereço de uma agência do Banco Rural. ''Na realidade, eu não sabia que era dinheiro nem que era o Banco Rural'', afirmou.
O ex-diretor do BB disse não desconfiar que a encomenda poderia causar-lhe problema e afirmou ter se surpreendido com o registro do nome do funcionário da Previ que buscou a encomenda na lista de sacadores de recursos das contas de Valério. ''Em janeiro de 2004, o Brasil vivia uma lua-de-mel. Não era justificável nenhuma surpresa'', afirmou.
Ao tomar conhecimento do esquema, ele telefonou para o funcionário do fundo de pensão do BB e disse não saber como faria para se livrarem das acusações. ''Alguém armou uma cilada para nós. Não sei como vamos sair dessa'', disse Pizzolato ao contínuo da Previ.
Um mês depois da retirada de recursos, Pizzolato, que tinha salário de R$ 39 mil, comprou um apartamento de R$ 400 mil. No entanto, ele nega que tenha usado o dinheiro do Banco Rural. De acordo com o ex-diretor, com base em extratos bancários levados à comissão, os R$ 400 mil foram pagos com recursos aplicados em suas contas somados a R$ 100 mil em moeda estrangeira.

mockup