Brasília - Oito meses de acusações, três CPIs, 28 demissões no governo e muitas provas de corrupção depois, os cargos mais cobiçados da administração federal continuam sob o comando de apadrinhados dos principais acusados de operar o mensalão. Com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-deputados José Dirceu (PT) e Valdemar Costa Neto (PL), além do deputado José Janene (PP), dividem os cargos mais poderosos de estatais como a Petrobras e órgãos como o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT).
Nos últimos dois meses, a reportagem entrevistou parlamentares, lobistas e empresários, que contaram como o loteamento político de cargos estratégicos apontado pelo ex-deputado Roberto Jefferson como a principal forma de arrecadação para o caixa 2 dos partidos resiste à atual crise. Com ajuda dessas fontes, a reportagem elaborou a lista dos 20 cargos mais visados, ordenada pelo volume de contratos gerenciados, pelo poder sobre negócios de grandes empresas e pelo potencial para fazer caixa irregular.
A conclusão? Não só todos estão sob indicação de partidos políticos, como a maioria se encontra sob a batuta de Dirceu, Costa Neto e Janene. Os demais estão distribuídos entre as cúpulas do PT e do PMDB. Hoje, esse tipo de nomeação costuma passar pelo crivo direto do presidente, do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e da chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Apesar de cassado, Dirceu ainda exerce influência sobre indicações.
Segundo as fontes consultadas, seria um equívoco medir a importância desses cargos apenas pelo orçamento deles. A força de muitos dos cargos cobiçados está na capacidade para privilegiar amigos ou prejudicar inimigos. Nenhum lugar está tão sujeito a esse mecanismo quanto a Petrobras, que controla R$ 23 bilhões anuais em investimentos. Ali, quem dá as cartas são Dirceu e Janene, além do senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-diretor da empresa.
A prática de usar cargos para seduzir parlamentares não é invenção do governo Lula. Mas surpreende que a crise do mensalão nada tenha mudado. ''Os mesmos mecanismos que geraram o escândalo são usados por Lula para administrar a crise. Certamente podemos esperar mais casos no futuro'', prevê Cláudio Weber Abramo, diretor da ONG Transparência Brasil.

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