Pedro Livoratti e
Patrícia Zanin
De Londrina
O advogado Ruy Marçal Carneiro, apontado como um dos pivôs da confusão que culminou com o adiamento da sessão de anteontem na Câmara, é professor de Direito da Universidade Estadual de Londrina. Teve passagens pela vida pública como secretário de Serviços Públicos e de Administração entre 86 a 89, durante a gestão do ex-prefeito Wilson Moreira. Articulado e sempre tendo em mãos livros jurídicos, Carneiro expõe sobre leis com fluência. Há 20 anos na profissão, o advogado, de 62 anos, está concluindo doutorado em direito constitucional pela PUC de São Paulo.
Sobre a polêmica noite de quinta-feira, quando os vereadores acabaram adiando a votação da proposta de criação de uma Comissão Processante contra Belinati alegando que Carneiro arrombou a porta da sala de reuniões, ele sustenta que foi o filho do vereador Antenor Ribeiro (PPB), Antenor Ribeiro Neto, quem empurrou a porta contra ele e mais um grupo de advogados que o acompanhava.
‘‘Eu entrei na sala como cidadão. Convidei os vereadores a cumprir com sua obrigação. Disse-lhes, que venham e votem, sendo contra ou a favor da Comissão Processante. Acabei sendo o carneiro expiatório’’, ironizou. O advogado adianta que não é candidato às eleições deste ano. ‘‘Para falar a verdade, não tenho o perfil para ser político’’, justifica.
Já o publicitário Antenor Ribeiro Neto, de 28 anos, pretende seguir os passos do pai como político. Ele ainda não sabe quando vai disputar uma eleição, mas garante que quer seguir carreira. ‘‘Tanto na política como no rádio, seguindo meu pai’’, relatou. O publicitário, que é assessor de Antenor Ribeiro, mas garante não ser funcionário da Câmara e não receber por isso, conta que acompanha as sessões no Legislativo desde 82, quando o pai foi eleito pela primeira vez.
Ribeiro Neto garante que não impediu Ruy Carneiro e o grupo de advogados de entrar na sala de reuniões onde estavam oito vereadores e o presidente do PFL de Londrina, Farage Kouri. ‘‘Fui levar o celular para o meu pai na sala e já estava próximo da porta para sair quando ela foi arrombada. O advogado deu um chute na porta, que estava fechada e não trancada, e entrou’’, relata o publicitário.
O filho do vereador disse que o advogado gritou com os vereadores. ‘‘Ele perguntou quem eu era e o que eu estava fazendo ali. Eu só respondi que achava que ele estava nervoso e deveria ter calma’’, afirmou.