Pivô do mensalão, Janene será enterrado hoje
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
Pivô do maior escândalo registrado no governo Lula, o ''mensalão'', em 2005, o ex-deputado federal por três mandatos José Janene (PP) será enterrado hoje, às 10 horas, no Cemitério Islâmico de Londrina. Natural de Santo Inácio (111 km ao norte de Maringá), Janene não resistiu às duas paradas cardíacas que o mantiveram internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo durante 42 dias e morreu ontem de madrugada, às 0h25.
Janene havia sido internado no dia 4 de agosto para troca de um cardiodesfibrilador implantável, na cirurgia realizada em 5 de agosto. Há anos o ex-deputado era portador de insuficiência cardíaca congestiva grave (grau IV), e estava inscrito em fila de espera há três meses para um transplante de coração. Conforme nota da assessoria de imprensa do hospital, Janene faleceu ''em consequência de evolução de quadro de choque séptico'', a qual, afirmou o assessor que cuidava da agenda do ex-deputado nos últimos oito anos, Roberto Brasiliano, ocorrera no último final de semana. ''Foi uma infecção hospitalar séria, causada por uma bactéria. Isso afetou outros órgãos e ele não resistiu'', explicou.
De acordo com Brasiliano, o projeto político do ex-parlamentar era retornar à vida pública novamente como deputado federal. ''Mas na última semana na convenção partidária (em junho) ele me disse que o médico o havia desautorizado a começar campanha'', comentou.
A última vez que o ex-deputado havia ficado internado, em estado grave, havia sido em fevereiro deste ano, em Londrina, por conta de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Graças à cardiopatia, Janene conseguiu se aposentar por invalidez em 2006, último ano de um conturbado mandato na Câmara Federal no qual, em 2005, foi acusado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) de operar o esquema do mensalão abastecido pelo publicitário Marcos Valério. O ex-deputado acabou se tornando um dos 40 réus do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), que recebeu a denúncia da Procuradoria Geral da República por crimes como formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-deputado, no entanto, sempre negou as acusações. A aposentadoria por invalidez acabou livrando-o de um processo de cassação.
No site da Agência Câmara, ontem, uma nota falava da morte do ex-deputado e lembrava que, além do PP, partido que liderou na Casa em 2005 e 2006, já fora filiado também ao PMDB, ao PDT e ao PPB (que virou PP). Janene também presidira a Comissão de Minas e Energia e fora membro titular das comissões de Orçamento, de Ciência Tecnologia, Comunicação e Informática; de Finanças e Tributação, e de Seguridade Social e Família. Participou da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da CBF/Nike. Em Londrina, o ex-deputado também figurava como réu em dezenas de processos do escândalo Ama-Comurb, referente a supostas fraudes em licitações durante a terceira gestão (1997-2000) do então prefeito Antonio Belinati (PP).
Ontem, no velório realizado a partir das 15 horas na Mesquita Rei Faiçal, na Vila Siam (Zona Leste), familiares não quiseram falar com a imprensa. Deputados federais, candidatos no pleito de outubro e ex-vereadores réus em processos de corrupção pela Legislatura passada também marcaram presença - a exemplo do ex-prefeito de Londrina Nedson Micheleti (PT) e do atual Barbosa Neto (PDT), que decretou luto oficial de três dias no Município.
O ex-deputado deixa três irmãos e cinco filhos: dois do primeiro casamento e três do segundo, além de três netos.


