Pivô do caso Sivam recusa cargo
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quinta-feira, 06 de março de 1997
Agência Estado 
RIO - O ex-ministro da Aeronáutica, tenente-brigadeiro da reserva Mauro Gandra, afirmou ontem que nunca mais vai ocupar um cargo público. Aos 64 anos, na semana passada ele recusou um convite do governo federal para assumir cargo de assessor militar da missão brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Caso aceitasse, ele teria direito a salário mensal de R$ 17 mil (mais de quatro vezes o valor de seus proventos), além de ajuda de custo para moradia nos Estados Unidos e passagens.
Minha passagem pelo exterior já está cumprida, disse Gandra, referindo-se aos vários cargos que ocupou durante a carreira. Um dos personagens centrais do escândalo do Sivam, o ex-ministro disse, ao negar o convite, que quis apenas manter a coerência. Quando deixei o ministério, em novembro de 1995, para não prejudicar o governo, disse ao presidente Fernando Henrique Cardoso que nunca mais aceitaria cargos públicos.
Magoado até hoje com o episódio de sua demissão, provocada pela revelação de sua amizada com representantes da empresa norte-americana Raytheon no Brasil, Gandra disse que a decisão de não aceitar o posto na ONU também foi tomada por razões de foro íntimo.
Para ele, contudo, o convite serviu como uma espécie de revogação de uma sentença. A imprensa nunca me deu o direito de defesa, reclama o oficial.
Sivam Apesar do trauma da demissão, o tenente-brigadeiro da reserva não se nega a falar sobre o Sivam. Ele sustenta que a nova polêmica envolvendo o sistema, sobre a intenção da Raytheon de elevar os custos do contrato, pode ser mais um efeito dos interesses políticos e econômicos que atrapalham a execução do projeto.
Ele garante ter em seu poder relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU), do ano passado, aprovando o orçamento apresentado.


