Pivô de escândalo deve ser indiciado pela PF
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segunda-feira, 23 de maio de 2005
Andréa Michael e Luiz Francisco<br> Folhapress 
Brasília - A Polícia Federal deve indiciar hoje, por suposta prática dos crimes de corrupção passiva e fraude a licitações, o funcionário dos Correios Maurício Marinho. As penas previstas podem chegar a até oito anos de prisão. O depoimento de Marinho, marcado para as 9h, na PF em Brasília, será o primeiro dos três que os investigadores planejam colher hoje. Também deve ser ouvido o ex-diretor de Administração dos Correios Antônio Osório Batista e seu ex-assessor-executivo Fernando Leite de Godoy.
Os três deixaram o cargo devido à divulgação, pela revista ''Veja'', de uma gravação na qual Marinho conta a dois supostos empresários o que ele entende como o caminho para fazer negociatas nos Correios. Marinho, em carta enviada aos Correios, disse que o pagamento era para realizar uma assessoria e negou um esquema de propinas. Os investigadores trabalham com a possibilidade de indiciar Batista e Godoy sob acusação de prática de corrupção passiva e fraude a licitação.
Também analisam oferecer aos investigados o benefício legal conhecido como delação premiada, ou seja, uma redução de eventuais penalidades em caso de condenação se decidirem colaborar com a apuração do suposto esquema de corrupção nos Correios.
Ontem, uma equipe de cerca de 30 policiais cumpriu seis mandados de busca e apreensão de documentos em Brasília e um outro em Salvador. Os alvos foram as residências de Marinho, Batista e Godoy e seus gabinetes nos Correios. Juntamente com o pedido de busca e apreensão de documentos e equipamentos, a PF e o Ministério Público Federal pediram à Justiça, na última quarta-feira, a prisão de Marinho, Batista e Godoy. O juiz Clóvis de Siqueira, da 10 Vara da Justiça Federal em Brasília, negou a prisão. Entende que, como medida cautelar, a posse dos documentos e computadores usados pelo trio já seria suficiente neste momento para dar andamento à investigação.
Autor da reportagem, o jornalista Policarpo Júnior atendeu ao convite da PF e depôs ontem. Disse que existe ainda uma gravação relacionada ao caso, mas que a ''Veja'' não tem cópia do material. Alegou disse desconhecer o ''comandante Molina'' e o ''capitão Fortuna''. O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que, segundo Marinho afirma na gravação, seria a ponta política do suposto esquema de corrupção nos Correios, disse que ''Molina'' e ''Fortuna'' seriam personagens do caso.
Em Salvador, três agentes e um delegado da PF cumpriram ontem à tarde mandado de busca e apreensão no apartamento de Antonio Osório Batista. Eles deixaram o apartamento com dois malotes e uma pasta cheios de documentos, disquetes e agendas.


