Presidente da Fiesp diz que empresariado
brasileiro já
está sobrecarregado
Arquivo FolhaPiva: mais honestidadeO presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, disse ontem, ao comentar os cortes do governo, que ‘‘gostaria de ver a conta dividida com mais honestidade com o setor público’’. Ele ponderou que os cortes de R$ 1,2 bilhão anunciados precisam ser melhor detalhados.
Segundo Piva, a alteração na cobrança da CSLL será prejudicial ao empresário nacional, que está no limite de sua capacidade. Piva disse que por ser uma medida que causa irritação, servirá para aumentar a disposição do empresariado em defesa da votação de uma reforma tributária ainda este ano.
‘‘Esta é apenas uma de uma série de incoerências feitas pelo governo ao longo dos últimos anos’’, afirmou, referindo-se ao aumento da carga tributária num momento em que o Congresso discute a reforma tributária que tem como propósito desonerar a produção nacional. ‘‘A reforma tributária tem que sair já, porque só ela trará racionalidade para evitar decisões como esta’’, disse.
O presidente da Federação das Associações Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Mauro Knijnik, também criticou a redução do abatimento de parte da Cofins na CSLL. Com a medida, o governo federal está criando ‘‘mais imposto’’ e ‘‘transferindo os seus problemas para a sociedade’’, disse o empresário.
Knijnik tem ainda dúvidas quanto à realização do corte de R$ 1,2 bilhão em despesas de custeio pela União. ‘‘Este governo tem obtido mais êxito em anunciar medidas do que em executá-las’’, avaliou Knijnik.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Francisco Renan Proença, a mudança nos critérios de redução da Cofins na CSLL é uma ‘‘garfada’’ sobre as empresas brasileiras. ‘‘Como continuar trabalhando se o governo vai outra vez com sede ao pote?’’ indagou.
Proença afirmou ainda temer o risco de que a alteração se torne permanente e não seja eliminada após o saneamento das contas da Previdência, como prometeu o ministro da Fazenda, Pedro Malan. ‘‘Eu lembro que a CPMF e outras tantas também eram temporárias e viraram permanentes através dos anos, num País que já tem uma enorme carga de impostos’’, comentou.
De acordo com ele, devido aos mais de 50 impostos existentes no Brasil, há um grande número de empresas na informalidade, ‘‘o que nos dificulta inclusive o cálculo do PIB’’.
O vice-presidente da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), Roberto Gianetti da Fonseca, disse ontem que a taxação sobre remessas de juros de operações contratadas no exterior não provocará impacto nas contas públicas do governo porque não deve incidir sobre as remessas de dividendos. Segundo ele, a medida deve recair sobre operações de curto prazo, que não afetam o capital produtivo e da qual o País não está mais tão dependente.
Fonseca disse também que se a tributação for apenas sobre o juros, não comprometerá a administração do déficit da conta corrente para o ano 2000. Isso porque, explicou ele, essa conta seria fechada por um superávit de US$ 6 bilhões na balança comercial e de US$ 16 bilhões em investimentos diretos, conforme estimativas do governo para o próximo ano. Ele disse que hoje o déficit em conta corrente do País está em US$ 25 bilhões.
O economista Lauro Vieira de Faria, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), alertou para o perigo de se aumentar a carga tributária, ao comentar as medidas. ‘‘O normal seria cortar só do lado da despesa para compensar, mas escolheram fazer meio a meio’’, afirmou. ‘‘Dos males, o menor; pelo menos fizeram alguma coisa’’, comentou.
Faria afirmou que as medidas melhoram a percepção do mercado sobre o governo, mas não chegam a afastar o temor de que o esforço fiscal vai ser cumprido. ‘‘No ano que vem, o esforço fiscal vai ter de ser maior ainda’’, afirmou, lembrando que a meta de superávit primário em 2000 vai chegar a 3,25%. ‘‘A situação do Brasil ainda é muito delicada’’, disse. (A.E.)

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