O prefeito Celso Pitta (PTN) voltou ontem à Prefeitura de São Paulo, 20 dias depois de ter saído pela porta dos fundos para não receber a notificação do oficial de Justiça avisando-o de que ele havia sido destituído do cargo por decisão judicial. Pitta chegou ao Palácio das Indústrias às 8h40 apoiado por decisão da segunda câmara do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que na véspera, por três votos a dois, lhe garantiu o direito de voltar a sentar na cadeira de prefeito.
Desde o início da manhã algumas lideranças comunitárias, perueiros e poucos vereadores o aguardavam. Da antiga base de apoio do prefeito, estavam presentes Miguel Colasuonno (PMDB) e Wadih Mutran. Depois chegaram Osvaldo Enéas (Prona), que foi um dos primeiros a cumprimentar Regis de Oliveira quando ele assumiu a prefeitura, Antonio Goulart (PMDB) e Brasil Vita (PPB), ex-líder do prefeito na Câmara que iria reassumir a função.
Dos 18 secretários que o acompanharam até 26 de maio, quando foi afastado, alguns já o aguardavam e outros chegaram com ele. Os secretários da Saúde, Jorge Pagura, dos Esportes, Fausto Camunha, da Cultura, Rodolfo Konder, e do Verde e Meio Ambiente, Ricardo Ohtake, não compareceram. Segundo a assessoria de imprensa de Pitta, eles estavam viajando.
Os perueiros improvisaram uma festa de recepção com direito a fogos de artifício e faixas com dizeres como ‘‘SP voltou a ter direção’’, ‘‘Pitta, bem-vindo à prefeitura. A casa sempre foi sua’’ e ‘‘Pitta, SP está com voc꒒.
O carro do secretário da Comunicação Social, Antenor Braido, funcionou como um uma espécie de batedor para o prefeito. Pitta chegou acompanhado pelo advogado Mário Sérgio Duarte Garcia e pelo secretário dos Negócios Jurídicos, Edvaldo Brito. Atrás, em seu carro particular, o seguia o secretário do Governo, Carlos Augusto Meinberg.
Na chegada de Pitta houve tumulto porque a imprensa tentava entrevistá-lo e populares queriam cumprimentá-lo. Ao contrário de 26 de março, quando voltou à prefeitura depois de permanecer dois dias afastado por decisão judicial, desta vez Pitta não foi carregado por correligionários. Mas repetiu a cena daquele dia, ao subir na sacada do Palácio das Indústrias e acenar para os amigos.
Pitta fez uma pequena reunião com algumas lideranças, no salão azul do palácio. De forma lacônica, ele agradeceu o apoio das lideranças dos perueiros e das comunidades. O advogado Antonio Cláudio Marins de Oliveira disse à platéia que sempre acreditou na Justiça e agora ‘‘Pitta tem condições de chegar até o fim de seu mandato’’. ‘‘A vitória é de vocês, porque não o abandonaram nos momentos mais difíceis’’, disse Marins de Oliveira aos que foram cumprimentar o prefeito.
Os 14 secretários que compareceram à posse disseram que a primeira ordem de Pitta foi lhes pedir que retornassem às secretarias e fizessem um levantamento de como estavam as coisas para depois, às 17h, retornarem para nova reunião.
O presidente nacional do PTN, Dorival de Abreu, que foi dar as boas-vindas a Pitta, disse que a decisão da Justiça, favorável ao prefeito, o fortalece. ‘‘A vontade do povo prevaleceu sobre a minoria que só pensa em dar golpe’’, afirmou Abreu, numa referência indireta ao vice-prefeito Regis de Oliveira. Abreu defendeu a candidatura de Pitta à reeleição e disse que vai apressar a convenção do partido. ‘‘Mas vai depender da vontade dele’’, disse o presidente do PTN.

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