Agência Estado
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Tudo como dantesPitta, durante entrevista coletiva: ‘‘Vamos apresentar recurso com efeito suspensivo e continuar administrando a cidade’’O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), condenado à perda do cargo, dos direitos políticos e ao pagamento de multa no valor de R$ 32,1 milhões, afirmou ontem que vai recorrer da sentença do juiz Pedro Aurélio Pires Maríngolo, da 12ª Vara da Fazenda. ‘‘Assim que tiver conhecimento oficial da sentença, o que deve ocorrer só em janeiro, vamos apresentar recurso com efeito suspensivo e continuar administrando a cidade’’, declarou Pitta.
Maríngolo condenou Pitta por improbidade administrativa em ‘‘operações ruinosas’’ com títulos públicos realizadas no período em que exercia o cargo de secretário de Finanças, na administração do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). De acordo com laudos técnicos do Ministério Público e do Banco Central, as operações causaram prejuízo de R$ 10,74 milhões aos cofres da Prefeitura.
Em sua defesa, o prefeito vai contestar esse cálculo. Ele alega que o Tribunal de Contas do Município também realizou perícia técnica sobre as mesmas operações e concluiu que elas não causaram prejuízo à Prefeitura. ‘‘Esse é um assunto extremamente complexo e demanda inúmeros cálculos, que no decorrer do processo serão realizados’’, defendeu-se.
‘‘Todo esse assunto tem um pano de fundo político’’, insistiu o prefeito, repetindo a idéia de que seria vítima de perseguição de seus adversários. ‘‘Mas não admito que isso exista no Judiciário.’
Pitta afirmou estar tranquilo e não ter se surpreendido com a sentença: ‘‘A imprensa já tinha noticiado a condenação há 15 dias e isso sim é surpreendente’’, provocou.
O governo federal socorreu ontem a Prefeitura de São Paulo por meio de empréstimo de R$ 324 milhões, um dia depois de o prefeito Celso Pitta (PPB) ter sido condenado à perda do cargo por improbidade administrativa. O Banco do Brasil aprovou pedido de antecipação de receita orçamentária (ARO), apesar de a Prefeitura acumular dívida de mais de R$ 8 bilhões, dos quais R$ 800 milhões têm de ser quitados nos próximos meses.
Além de garantir um fôlego financeiro no final de ano, Pitta usou o empréstimo para ofuscar o prejuízo político e administrativo causado pela condenação. ‘‘Me sinto muito bem, muito tranquilo’’, declarou em sua primeira entrevista sobre a sentença.
‘‘Acabo de assinar um contrato de financiamento com o Banco do Brasil, uma operação que vem em bom momento e vai desafogar as finanças da cidade’’, completou, depois de despedir-se dos representantes do BB.
A iniciativa do governo federal, que na semana passada aumentou o limite de endividamento de Estados e municípios permitindo a operação, faz parte de um suposto acordo com o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Na versão de Maluf, o presidente Fernando Henrique Cardoso teria concordado em facilitar empréstimos à Prefeitura em troca de apoio do PPB às reformas e à reeleição.
O prefeito aguarda para o próximo ano outros R$ 400 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Do total, R$ 330 milhões seriam destinados à construção da primeira linha do fura-fila (Veículo Leve Sobre Pneus), corredores e instalação de semáforos inteligentes. O restante, R$ 70 milhões, iriam diretamente para as cooperativas que mantêm o Plano de Atendimento à Saúde (PAS).

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