Pitta depõe e nega todas as acusações
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O prefeito Celso Pitta (PTN) contou com a ajuda dos vereadores governistas no depoimento que prestou ontem à Câmara Municipal. Durante todo o interrogatório, os aliados do prefeito evitaram perguntas polêmicas e trocaram acusações com os vereadores da oposição que integram a comissão processante que analisa as denúncias de irregularidades na administração municipal.
O depoimento começou às 9h45 e durou cerca de sete horas. Pitta respondeu a praticamente todas as acusações incluídas na denúncia feita pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), que deu origem ao processo de impeachment. Entre elas, a suspeita de irregularidades na emissão de títulos públicos para pagamentos de precatórios, os empréstimos pessoais realizados pelo empresário Jorge Yunes, as investigações realizadas pela Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE) sobre a máfia dos fiscais e a viagem que fez à França, durante a Copa do Mundo de 1998.
Sentado ao lado da presidente da comissão, vereadora Ana Maria Quadros (PSDB), o prefeito demonstrou tranquilidade durante todo o depoimento e respondeu à maioria das questões, negando qualquer irregularidade. À sua frente, os membros da oposição e situação alternavam-se nas perguntas. Enquanto a situação elaborava perguntas mais simples, Devanir Ribeiro (PT) e Roberto Trípoli (PSDB) buscavam detalhes sobre assuntos mais complexos, como os empréstimos realizados pelo empresário Yunes.
Quando eu fui sorteado achei que ia participar de uma comissão processante e não de uma CPI, disse Alan Lopes (PTB). Estão levantando a bola para ele se promover, retrucou Trípoli, no intervalo da sessão, referindo-se às perguntas dos governistas. Uma delas foi de Natalício Bezerra (PTB), que perguntou ao prefeito se ele achava que denúncias verbais devem ser levadas em consideração em um processo.
Pitta admitiu que recebeu os empréstimos de Yunes, porque, segundo ele, não queria comprometer o padrão de vida de sua família após ter assumido a prefeitura, cujos vencimentos não chegam a R$ 7.000 líquidos. Segundo ele, o dinheiro será pago quando seus bens forem desbloqueados pela Justiça.
O vereador Trípoli ligou os favores pessoais de Yunes a um suposto beneficiamento em propriedades pessoais do empresário. Yunes seria favorecido em alterações na Lei de Zoneamento em dois terrenos, um na Vila Maria, zona norte, e outro na região da avenida Faria Lima, na zona sul. Pitta negou o favorecimento, afirmando que o empresário solicitou as mudanças antes do início de sua gestão.
O clima ficou tenso quando o vereador Devanir Ribeiro começou a fazer perguntas sobre as investigações realizadas durante a época da máfia dos fiscais. No momento em que foi indagado sobre o poder político dos vereadores sobre as administrações regionais - tema central das investigações sobre a máfia dos fiscais - Pitta admitiu que os vereadores já tiveram influência sobre os órgãos, mas em administrações passadas.
Essa prática foi sendo extinta no decorrer dos anos e hoje é praticamente inexistente, afirmou. Em seguida, exibiu uma lista em que vereadores do PT, PDT e PSB são acusados de indicar administradores regionais durante a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina.


