SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), anunciou ontem a demissão do coordenador da Dívida Pública do município, Wagner Baptista Ramos, envolvido no esquema de emissão e negociação fraudulenta de títulos públicos. Até à tarde, contudo, a exoneração não havia sido concretizada. Contratado pela Empresa de Processamento de Dados do Municípo (Prodam), Ramos tem de ser desligado por sua direção, que ainda não havia recebido a recomendação de dispensa a ser enviada pelo prefeito.
‘‘A demissão não foi feita anteriormente porque ele estava em gozo de férias e a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) não permite’’, explicou Pitta. Ramos terá de ser demitido pelas normas da Consolidação das Leis do Trabalho porque a Prodam é uma sociedade anônima, cujo maior acionista é a Prefeitura. De acordo com a assessoria de imprensa da Prodam, a recomendação deverá ser enviada ao departamento jurídico onde ainda será decidido se Ramos vai ser demitido por justa causa ou não.
‘‘Resolvi demiti-lo porque a CPI demonstrou que ele agiu com irregularidade, inclusive fora do terreno da boa ética’’, justificou o prefeito. Ele afirmou que não sabia que o coordenador da Dívida Pública da Prefeitura trabalhava, havia 19 meses, para a Perfil, uma das corretoras envolvidas no esquema dos títulos públicos, da qual recebeu R$ 150 mil como comissão por operações com papéis de Pernambuco.
Ramos foi admitido na Prodam em 1987 no cargo de assessor II e começou a prestar serviço na Secretaria de Finanças durante a administração Jânio Quadros. Atualmente, recebia salário de R$ 4,7 mil, pago pela Prodam. Ontem venceu seu período de férias e a família informou que ele continuava no Pantanal, onde estaria desde que teve o nome envolvido no escândalo do títulos.

mockup