Pitta defende Maluf e ataca relatório
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quarta-feira, 11 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaDefesaCelso Pitta: prefeito contestou números apresentados por RequiãoAo depor ontem na CPI dos Títulos Públicos, o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), afirmou que a prefeitura patrocinou algumas trocas de títulos para facilitar a liquidez aos devedores dos papéis. Se as corretoras ficassem sem liquidez, correriam o risco de serem liquidadas, o que obrigaria a Prefeitura a resgatar os títulos, justificou. A mesma explicação para as operações de recompra dos papéis foi dada pelo ex-coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo Wagner Ramos à comissão, em fevereiro.
Apesar de admitir o socorro às corretoras, o prefeito negou que as transações tenham causado prejuízo aos cofres municipais. De acordo com o prefeito, a crise de liquidez provocada pelo Plano Real e o fato de o Banespa, custodiante dos títulos, passar a depender do redesconto provocaram um movimento de repulsa no mercado aos títulos municipais. Pitta disse que, para reverter essa rejeição, a Prefeitura foi obrigada a oferecer a garantia de recompra para facilitar a colocação dos títulos.
Mas o Banco Central (BC) sustentou, em relatório enviado à CPI, que a Prefeitura de São Paulo registrou um prejuízo de R$ 1,761 milhão em duas operações com títulos municipais feitas com a distribuidora Contrato, no dia 1º de dezembro de 1994. As operações foram de day trade (compra e venda dos mesmos papéis no mesmo dia), determinadas diretamente pelo ex-secretário de Finanças e atual prefeito Celso Pitta (PPB). No relatório, o BC garantiu que as operações eram desnecessárias e serviram apenas para proporcionar um expressivo lucro de R$ 1,761 mil à distribuidora Contrato.
Ele adotou como principal linha de defesa a contestação dos números apresentados no relatório preliminar do senador Roberto Requião (PMDB-PR) sobre a emissão de títulos do município destinados a pagamento de precatórios. Logo no começo da sessão, Pitta defendeu seu antecessor e padrinho político, Paulo Maluf. Nada foi criado ou inventado na administração Paulo Maluf, disse. Foram adotados procedimentos homologados por esta Casa e pelo Banco Central desde 1989.
Escoltado pela bancada do PPB na Câmara - que abandonou a votação da reforma administrativa para apoiar Pitta no interrogatório -, o prefeito conseguiu, contra a vontade de Requião, ler, com voz firme, suas declarações.


