Arquivo FolhaDefesaCelso Pitta: prefeito contestou números apresentados por RequiãoAo depor ontem na CPI dos Títulos Públicos, o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB), afirmou que a prefeitura patrocinou ‘‘algumas trocas de títulos’’ para facilitar ‘‘a liquidez aos devedores dos papéis’’. ‘‘Se as corretoras ficassem sem liquidez, correriam o risco de serem liquidadas, o que obrigaria a Prefeitura a resgatar os títulos’’, justificou. A mesma explicação para as operações de recompra dos papéis foi dada pelo ex-coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo Wagner Ramos à comissão, em fevereiro.
Apesar de admitir o socorro às corretoras, o prefeito negou que as transações tenham causado prejuízo aos cofres municipais. De acordo com o prefeito, ‘‘a crise de liquidez provocada pelo Plano Real’’ e o fato de o Banespa, custodiante dos títulos, passar ‘‘a depender do redesconto’’ provocaram um ‘‘movimento de repulsa’’ no mercado aos títulos municipais. Pitta disse que, para reverter essa rejeição, a Prefeitura foi obrigada a oferecer a garantia de recompra para facilitar a colocação dos títulos.
Mas o Banco Central (BC) sustentou, em relatório enviado à CPI, que a Prefeitura de São Paulo registrou um prejuízo de R$ 1,761 milhão em duas operações com títulos municipais feitas com a distribuidora Contrato, no dia 1º de dezembro de 1994. As operações foram de ‘‘day trade’’ (compra e venda dos mesmos papéis no mesmo dia), determinadas diretamente pelo ex-secretário de Finanças e atual prefeito Celso Pitta (PPB). No relatório, o BC garantiu que as operações ‘‘eram desnecessárias’’ e serviram apenas ‘‘para proporcionar um expressivo lucro de R$ 1,761 mil à distribuidora Contrato’’.
Ele adotou como principal linha de defesa a contestação dos números apresentados no relatório preliminar do senador Roberto Requião (PMDB-PR) sobre a emissão de títulos do município destinados a pagamento de precatórios. Logo no começo da sessão, Pitta defendeu seu antecessor e padrinho político, Paulo Maluf. ‘‘Nada foi criado ou inventado na administração Paulo Maluf’’, disse. ‘‘Foram adotados procedimentos homologados por esta Casa e pelo Banco Central desde 1989.’’
Escoltado pela bancada do PPB na Câmara - que abandonou a votação da reforma administrativa para apoiar Pitta no interrogatório -, o prefeito conseguiu, contra a vontade de Requião, ler, com voz firme, suas declarações.

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