Pistoleiro confirma versão do deputado Augusto Farias
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sexta-feira, 01 de janeiro de 1999
Ricardo Rodrigues Agência Estado 
O superintendente da Polícia Federal em Alagoas, delegado Bergson Toledo, confirmou ontem que o pistoleiro Maurício Gomes Novaes, o Chapéu de Couro, apresentou-se terça-feira, em São Paulo, ao delegado da PF Gustavo Gominho. O superintendente disse que não sabe se o pistoleiro prestou depoimento ao delegado, mas adiantou que Chapéu de Couro confirmou a denúncia feita pelo deputado federal Augusto Farias (PFL) contra o deputado federal Talvane Albuquerque (PFL).
Em depoimento às autoridades federais, Farias acusou Albuquerque de contratar pistoleiros para matá-lo e disse que ficou sabendo da trama através de Chapéu de Couro. Para o delegado Bergson Toledo, a apresentação de Maurício Chapéu de Couro representa um efeito político muito forte, que poderá facilitar a quebra de imunidade parlamentar do deputado Talvane Albuquerque, apontado pelas autoridades policiais como o principal suspeito do assassinato da deputada federal reeleita Ceci Cunha (PSDB) e mais três familiares dela.
De acordo com o depoimento do deputado Augusto Farias, Albuquerque teria contratado Chapéu de Couro para matá-lo porque queria assumir o mandato de deputado federal a todo custo, já que nas últimas eleições tinha sido derrotado e estava como primeiro suplente da coligação. Eu não tenho dúvida de que, não conseguindo me matar, o deputado Albuquerque tramou a morte da deputada Ceci, acusou Farias.
Segundo o superintendente Bergson Toledo, Chapéu de Couro não está preso porque não existe mandado de prisão contra ele. Ele se apresentou espontaneamente e disse que precisava da proteção da polícia porque tem medo de morrer como queima de arquivo, afirmou Toledo, que não quis confirmar se o pistoleiro se encontra em Maceió. Segundo uma fonte da Polícia Federal, Chapéu de Couro desembarcou em Maceió na quarta-feira pela manhã, acompanhado do delegado Gustavo Gominho.
Sobre o que teria falado ao delegado, Toledo disse que ele garantiu não ter nenhuma ligação com os pistoleiros que assassinaram a deputada Ceci, mas que pode ajudar a polícia a identificá-los, já que conhece muita gente nesse meio. Toledo disse ainda que a operação Força Tarefa Alagoas, envolvendo policiais federais de vários Estados, foi desativada, mas que isso não prejudica as investigações sobre o assassinato da deputada Ceci.


