O superintendente da Polícia Federal em Alagoas, delegado Bergson Toledo, confirmou ontem que o pistoleiro Maurício Gomes Novaes, o ‘‘Chapéu de Couro’’, apresentou-se terça-feira, em São Paulo, ao delegado da PF Gustavo Gominho. O superintendente disse que não sabe se o pistoleiro prestou depoimento ao delegado, mas adiantou que ‘‘Chapéu de Couro’’ confirmou a denúncia feita pelo deputado federal Augusto Farias (PFL) contra o deputado federal Talvane Albuquerque (PFL).
Em depoimento às autoridades federais, Farias acusou Albuquerque de contratar pistoleiros para matá-lo e disse que ficou sabendo da trama através de ‘‘Chapéu de Couro’’. Para o delegado Bergson Toledo, a apresentação de Maurício ‘‘Chapéu de Couro’’ representa um ‘‘efeito político muito forte’’, que poderá facilitar a quebra de imunidade parlamentar do deputado Talvane Albuquerque, apontado pelas autoridades policiais como o principal suspeito do assassinato da deputada federal reeleita Ceci Cunha (PSDB) e mais três familiares dela.
De acordo com o depoimento do deputado Augusto Farias, Albuquerque teria contratado ‘‘Chapéu de Couro’’ para matá-lo porque queria assumir o mandato de deputado federal a todo custo, já que nas últimas eleições tinha sido derrotado e estava como primeiro suplente da coligação. ‘‘Eu não tenho dúvida de que, não conseguindo me matar, o deputado Albuquerque tramou a morte da deputada Ceci’’, acusou Farias.
Segundo o superintendente Bergson Toledo, ‘‘Chapéu de Couro’’ não está preso porque não existe mandado de prisão contra ele. ‘‘Ele se apresentou espontaneamente e disse que precisava da proteção da polícia porque tem medo de morrer como queima de arquivo’’, afirmou Toledo, que não quis confirmar se o pistoleiro se encontra em Maceió. Segundo uma fonte da Polícia Federal, ‘‘Chapéu de Couro’’ desembarcou em Maceió na quarta-feira pela manhã, acompanhado do delegado Gustavo Gominho.
Sobre o que teria falado ao delegado, Toledo disse que ele garantiu não ter nenhuma ligação com os pistoleiros que assassinaram a deputada Ceci, mas que pode ajudar a polícia a identificá-los, já que conhece muita gente nesse meio. Toledo disse ainda que a operação Força Tarefa Alagoas, envolvendo policiais federais de vários Estados, foi desativada, mas que isso não prejudica as investigações sobre o assassinato da deputada Ceci.

mockup