Pisseti se recusa a abrir sigilos
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terça-feira, 11 de março de 2008
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A audiência pública que deveria ontem esclarecer os gastos feitos com viagens pelo secretário de Estado de Comunicação Social, Airton Pisseti, para o Paraguai não teve um andamento normal. Situação e oposição trocaram farpas e Pisseti deixou de responder perguntas consideradas estratégicas, como os motivos que levaram à coincidência de gastos da Comunicação em dias de viagens dele para o Paraguai.
''O secretário veio para essa reunião blindado pelos parlamentares da base de governo. Não tem como fazer questionamentos claros. Não temos como ouvir respostas porque os deputados do governo fazem questão de ordem a todo o instante. Fui interrompido mais de dez vezes e me senti desrespeitado como parlamentar'', desabafou o deputado Valdir Rossoni (PSDB), líder da oposição na Assembléia Legislativa, que preferiu se retirar da audiência alegando que ele não iria compactuar com ''a blindagem'' de Pisseti. Os demais parlamentares da bancada também se retiraram.
Pisseti apresentou documentos que comprovariam os gastos de R$ 2,6 mil em cartão corporativo Visa e que, segundo ele, seriam todos feitos dentro do Paraná e no exercício da função de secretário. Pisseti tem sido questionado por fazer parte da campanha do bispo Fernando Lugo à presidência do Paraguai. O secretário confessou ter se ausentado por 11 vezes do Estado em dias de trabalho para ir ao Paraguai e se propôs a devolver o dinheiro que teria recebido como salário de forma ''indevida''. Confessou também ter usado R$ 5 mil em telefonemas particulares feitos na secretaria e se comprometeu a devolver o dinheiro. No entanto, a restituição somente foi definida após as primeiras denúncias surgidas na Assembléia. ''Está claro que houve improbidade administrativa. O governador Roberto Requião (PMDB) deveria demiti-lo imediatamente'', afirmou Marcelo Rangel (PPS), presidente da Comissão de Comunicação da Assembléia.
Pisseti negou ter usado dinheiro público para suas viagens e disse que não recebeu nada para fazer campanha para Lugo, a não ser prestígio. ''Evidente que não há dinheiro do governo ou do Requião na campanha'', disse. O secretário negou ainda que as viagens sejam oficiais e falou que Requião sabia de sua campanha política em favor de Lugo. Os deputados apresentaram a Pisseti o decreto de Lei governamental de 31 de maio de 2007 que proíbe qualquer servidor de se ausentar do País. E pediram que ele abrisse voluntariamente seus sigilos bancário e telefônico para confronto das informações prestadas. Pisseti recusou sob a alegação de que o pedido de quebra de sigilo ou renúncia de sigilo não era regimental.
Para o deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), líder do Governo, o pedido de renúncia não passou de uma jogada de marketing da Oposição. ''Apresentamos todas as provas. Eles não tinham mais o que falar, apresentaram um factóide e tiveram que sair da audiência por falta de provas contra o secretário'', analisou. A liderança de oposição estuda agora meios de pedir informações judiciais sobre os gastos de Pisseti e de 42 funcionários da Secretaria de Comunicação com cartões corporativos.
O clima na Assembléia continou quante à tarde, durante a sessão plenária. Analisando documentos da Central de Viagens do governo do Estado fornecidos pelo próprio Pisseti e cruzando as informações com dados que havia recebido anteriormente pela companhia aérea Gol, Rangel concluiu que, em pelo menos duas datas, houve liberação de diárias para cobrir gastos do secretário com hospedagem e alimentação quando ele havia viajado ao Paraguai. Os documentos do governo indicam que Pisseti estaria em Foz do Iguaçu realizando ''reuniões técnicas'' com veículos de comunicação. Rangel prometeu mandar todas as informações ao Ministério Público. (Colaborou Rodrigo Lopes)


