Curitiba - A Rádio e Televisão Rotioner razão social do Canal 21 , de propriedade do secretário de Estado da Indústria e Comércio e Assuntos do Mercosul, Luiz Mussi, recebeu R$ 703.539,14, em verbas de comunicação do governo do Estado, entre 10 de março e 2 de dezembro deste ano. Os valores foram autorizados entre 1º de janeiro e 14 de julho. As informações constam do ofício assinado pelo secretário de Estado da Comunicação Social, Airton Pisseti, em resposta ao pedido de informações feito pela bancada de oposição na Assembléia Legislativa, que não se convenceu com os números apresentados e vai requerer novas explicações assim que os deputados retornarem do recesso, em 15 de fevereiro.
Um dos motivos do descrédito dos deputados da oposição é o valor informado por Pisseti por cada transmissão das reuniões do governador com seu secretariado R$ 7,2 mil. Pela análise da bancada de oposição com base no relatório, os custos de transmissão e edição de matérias jornalísticas somam R$ 274.357,00, o que daria uma média mensal de R$ 68.589,25, ou o equivalente a R$ 17.147,31 por reunião.
A bancada de oposição entende que os esclarecimentos de Pisseti estão incompletos e deve encaminhar novo pedido de informações ao secretário. ''O secretário encaminhou uma resposta incompleta à Assembléia Legislativa. Ele está escondendo informações dos deputados'', acusou o líder do PSDB, Valdir Rossoni, em matéria distribuída pela assessoria de imprensa da oposição. A bancada deve reapresentar o requerimento para que Pisseti preste esclarecimentos, pessoalmente, no plenário da Assembléia.
Os deputados da oposição passaram a questionar os repasses para o Canal 21 depois que o jornalista Ogier Buchi denunciou em sua coluna em um jornal paranaense, que Pisseti teria prometido a Mussi liberar R$ 500 mil para sua emissora, caso recebesse de volta metade do dinheiro.
A assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu informou que Pisseti não se manifestaria sobre os questionamentos da bancada de oposição na Assembléia. Já Luiz Mussi afirmou que como não administra a televisão, não tinha os valores de cabeça, mas assegurou que mais de 50% seriam referentes a custos de produção. Disse, também, que as informações prestadas por Pisseti devem estar corretas.
Sobre o custo da veiculação das reuniões do secretariado, Mussi ponderou que o valor apresentado pelo secretário de Comunicação (R$ 7,2 mil por reunião) não deve estar considerando os custos de produção. ''Não vejo nada de imoral, nada de ilegal. Antes de ser secretário, sou empresário. E só não recebi mais verba do governo, justamente, pelo fato de ser secretário'', afirmou.

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