O ex-diretor de Operações do Banestado Gabriel Nunes Pires, em depoimento prestado ontem na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, negou que tivesse conhecimento da abertura de contas fantasmas na Agência Centro do banco em Londrina, e ‘‘não ratificou’’ – segundo o delegado Sandro Roberto Viana dos Santos – as informações prestadas anteriormente por ele ao Ministério Público (MP) de Londrina. ‘‘O depoimento foi bom, mas ele vai ser analisado em cima da documentação obtida pelos promotores de Londrina e apresentada pelo ex-diretor de Operações’’, adiantou Viana.
Pires prestou depoimento por mais de duas horas e não quis falar com a Folha ao deixar a sede da PF. ‘‘Não tenho nada a declarar. O que eu tinha a falar, disse ao delegado’’, esquivou-se. À noite, a Folha tentou novamente falar com Pires, mas ele não retornou o telefonema. Mas Viana contou que o ex-diretor do banco estatal afirmou que ‘‘não cabia a ele’’ e que ‘‘não era função dele’’ determinar a abertura de contas em agências. Numa carta publicada anteontem pela Folha, o superintendente regional do Banestado, José Collete, afirma que a abertura das contas fantasmas teria sido solicitada ‘‘pelo diretor de Operações à época’’. No caso, Pires.
A Folha apurou que no depoimento prestado ao MP de Londrina, o ex-diretor de Operações (Pires ocupou o cargo entre junho de 1998 e janeiro de 1999) teria admitido que a diretoria do Banestado conhecia as irregularidades, que a existência das contas fantasmas era de praxe na casa e que apenas teria sido mantida pela antiga diretoria. O presidente do Banestado na época, Neco Garcia, porém, negou que tivesse conhecimento dos fatos apontados por Collete e Pires.
Ontem, o delegado também ouviu os empresários Luiz José de Oliveira Kesikowski e Raul Baglioli Filho. Os depoimentos fazem parte dos inquéritos que apuram a existência de 30 contas fantasmas em agências do Banestado em Londrina e a lavagem de dinheiro desviado da prefeitura. ‘‘Com estes depoimentos encerramos a primeira fase das investigações. Estas declarações vão ser cruzadas com as informações que serão repassadas pelo Banestado e também com os dados obtidos com as quebras de sigilos bancários de várias pessoas’’, disse o delegado.
O delegado assegurou que os depoimentos de Kesikowski e Baglioli ‘‘vão ajudar bastante’’ nas investigações. A intenção principal da PF é descobrir o nível de envolvimento da empresa Realty Participações (de São bernardo do Campo) no caso. Viana informou que os dois empresários – que ainda hoje devem apresentar mais documentos – contaram praticamente a mesma coisa.
‘‘Os dois garantiram que as licitações da Comurb das quais participaram foram legais, que receberam e devolveram cheques para o Eduardo Alonso (ex-presidente da Comurb, de onde houve desvios) e que um representante da Realty os visitou para devolver estes cheques, e passar o número da conta da empresa em que eles deveriam depositar os valores devidos’’, explicou.

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