Buenos Aires Centenas de desempregados organizados no chamado movimento ''piqueteiro'' argentino, com apoio de sindicalistas e estudantes, desfilaram ontem partindo de três pontos da periferia para a Praça de Maio, para exigir justiça pelo assassinato de dois de seus militantes. No dia anterior, o presidente Eduardo Duhalde conseguiu reduzir o clima de agitação social no país ao antecipar surpreendentemente as eleições, de setembro para março de 2003.
Uma ampla operação de segurança foi montada pela polícia perto da Ponte Pueyrredón, um dos cruciais acessos a Buenos Aires, onde na semana passada foram assassinados por policiais os ''piqueteiros'' Maximiliano Kosteki e Darío Santillán. ''Ninguém vai nos dizer como se organiza um desfile, exigimos o fim da impunidade e dos governos autoritários'', disse à imprensa um dos manifestantes.
Afirmou que a decisão política de Duhalde é consequência do fato de o país estar consternado com o massacre de dois rapazes. ''Ele (o presidente) quer mudar o eixo da discussão'', adiantou o líder sindical, que qualificou a decisão de ''manobra vergonhosa''.
Movimento oposicionista articula paralisações, desfiles e obstruções de estradas, dizendo representar cerca de 700 mil desempregados, cujas famílias estariam morrendo de fome.

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