Piora estado de saúde de Motta
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de abril de 1998
Agência Estado 
O estado de saúde do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, piorou ontem segundo boletim médico. Ele apresentava insuficiência respiratória grave, era mantido sob ventilação mecânica e passou a receber, na maior parte do tempo, frações inspiradas de oxigênio dentro do limite máximo permitido de 100%. Isso significa que sua capacidade respiratória, nesse período, é praticamente nula. Motta está internado desde o dia 7 no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para tratamento de uma infecção pulmonar. A febre, sintoma da infecção, voltou a aumentar.
A temperatura máxima do ministro, que na sexta-feira foi de 37,5º C, chegou ontem a 37,8º C. Ele permanece internado na UTI, sedado e sob tratamento antibiótico e antiinflamatório. Segundo informações de médicos que atuam no Einstein, Motta recebia, até ontem à tarde, as frações de oxigênio que o ministro recebia variavam de 60% a 100%. O limite bombeado ao organismo, porém, havia sido alcançado apenas em certas ocasiões.
Os dados hemodinâmicos e de função renal do ministro permanecem inalterados, segundo o boletim. Até o momento não foi identificada qualquer outra insuficiência orgânica.
Dado o longo período da infecção, agravado pelo que os médicos chamam de quadro-base de Motta (a doença intersticial pulmonar), o organismo do ministro como um todo passa a ser afetado. Há um sério risco de que a infecção se espalhe e afete outros órgãos. Mas as informações do boletim indicam que isso não ocorreu: o funcionamento do coração, rins e a pressão arterial estão inalterados.
O ministro da Administração, Luiz Carlos Bresser Pereira, estava muito abatido e emocionado ao deixar o hospital, às 11 horas de ontem, após visitar seu colega de governo. Acho que existem esperanças, disse. Pouco depois, Ruth Cardoso chegou ao hospital, e ficou cerca de uma hora. Na saída, disse que Motta está bem e que se Deus quiser vai estar melhor.


