O coordenador do programa de governo da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso pela reeleição, Carlos Alberto Pacheco, disse ontem que o Brasil não deverá ter problemas para financiar seu déficit do balanço de pagamentos, mesmo diante da retração do sistema financeiro internacional. Pacheco considera que a pior fase da crise já passou e que a economia brasileira continua sendo atrativa para os investimentos diretos.
‘‘Desde que não haja uma crise crônica, o País tem condições de crescer e reduzir o déficit em transações correntes ao mesmo tempo’’, afirmou Pacheco. Ele acrescentou, porém, que esse cenário depende de um esforço de coordenação do G-7, o grupo dos sete países mais ricos do mundo, e de um suporte financeiro para preservar a estabilização das economias latino-americanas, com a criação de algum fundo de liquidez internacional que desestimule ataques especulativos às moedas desses países.
Pacheco disse também que ‘‘não há perspectiva de o governo encaminhar neste final de ano um pacote com aumento de tributos associado à reforma tributária’’. Segundo ele, a discussão da reforma tributária não deve ser ‘‘misturada’’ com medidas para melhorar o desempenho fiscal no próximo ano.
‘‘A reforma tributária não implica aumento da carga fiscal’’, afirmou Pacheco. Ele insistiu que os principais objetivos da reforma são a simplificação, desoneração das exportações, melhor distribuição da carga de impostos, incentivo à produção, desvinculação dos encargos da folha de salários, redução da informalidade e inibição da guerra fiscal. ‘‘Pode haver um ganho fiscal em consequência do melhor desenho do sistema tributário, que deverá resultar em redução da sonegação e da renúncia fiscal’’, acrescentou.
Pacheco afirma que é importante avançar na discussão da reforma tributária ainda neste ano, embora considere difícil a aprovação de um projeto tão complexo em menos de três meses.Arquivo FolhaOtimismo oficialPacheco: economia brasileira continua sendo atratativa no mundoNelson Breve
Agência Estado

mockup