Pinotti lança Requião à presidência
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sexta-feira, 22 de agosto de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Kraw Penas/Folha de LondrinaMídiaRequião e Pinotti: para alguns peemedebistas, sucesso da CPI credencia o senador paranaenseO presidente nacional da Fundação Pedroso Horta, José Aristodemo Pinotti, lançou ontem em Curitiba os senadores Roberto Requião (PR) e José Sarney (AP) como pré-candidatos do PMDB à presidência da República. Pinotti faz parte da ala do partido que defende o lançamento já de uma candidatura própria para 98. Como uma alternativa do partido em se contrapor aos planos do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que busca no próprio PMDB apoio para a sua reeleição.
A militância quer que o PMDB lance um candidato a presidente. O governo federal tenta intervir, mas as bases falam mais alto, diz Pinotti. Segundo ele, Requião e Sarney têm a qualidade de serem palatáveis junto às esquerdas. O Requião ocupou muito bem a mídia na questão da CPI dos Precatórios e o Sarney tem se mostrado sensível a temas delicados como a defesa do patrimônio nacional, avalia.
Para Pinotti, o senador do Paraná tem perfil para ser o candidato das esquerdas, mas tem se mostrado arredio à proposta. Sinto que o Requião fica dividido entre o Paraná e o Brasil. Mas não há dúvidas de que uma decisão tomada em convenção o fará voltar atrás, aposta. O presidente nacional da Fundação inclui o PDT no leque dos partidos de esquerda que, junto com o PT, podem fechar aliança em torno da candidatura presidencial encabeçada pelo PMDB.
O dirigente expôs as dificuldades em se aprovar a proposta de candidatura própria. O PMDB vive um racha e a cúpula está voltada à tese de apoio a FHC. É um mal que precisamos combater, afirma. O grupo de Pinotti tem menos votos que os pró-FHC. Dos 102 deputados e senadores do PMDB, 49 estariam favoráveis ao lançamento de candidatura própria. Dentre eles, os parlamentares mineiros defensores do ex-presidente Itamar Franco.
O senador Roberto Requião (PMDB) não quis falar em candidaturas ontem. Segundo ele, o partido precisa definir primeiro se está disposto a lançar candidato próprio à presidência. Requião sugere a realização de convenção nacional, no próximo dia 21 de setembro, para deliberar sobre o assunto. Antes do prazo final para as filiações partidárias, o que possibilitaria aos derrotados a acomodação em outras siglas.
A proposta de Requião foi avalizada pelos presidentes das fundações Pedroso Horta e dos diretórios regionais do PMDB, que passaram o dia discutindo propostas do plano político alternativo, que também deve ser colocado sob o crivo dos convencionais. Eu estou tranquilo, tenho um mandato até 2.002, disse o senador, para escapar dos peemedebistas que queriam saber se o seu interesse maior está em candidatar-se ao governo ou à presidência da República.
Requião negou que esteja aproveitando-se do rompimento do governador Jaime Lerner (sem partido) com o ex-governador Leonel Brizola, para aproximar-se do PDT. O PDT é um partido importante para o nosso projeto, mas não estamos falando nisso agora. A última vez que falei com Brizola foi na casa dele, no Rio, há um ano e meio atrás, declarou.
O presidente da Fundação Pedroso Horta no Paraná, ex-prefeito de Curitiba Maurício Fruet, diz que Requião só deve sair candidato à sucessão presidencial se não houver outra alternativa. Ele (Requião) é o nosso candidato ao governo do Estado, lembrou.


