Curitiba - O presidente da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Paulo da Cruz Pimentel, teria orientado os diretores da Fundação Copel (que administra fundos previdenciários de mais de 10,5 mil funcionários da estatal) a manterem as aplicações até o limite permitido na Política de Investimentos da instituição. A orientação teria sido feita no dia 23 de setembro de 2004, através de e-mail. O e-mail foi apresentado ontem pelo presidente do Sindicato dos Empregados em Concessionárias dos Serviços de Geração, Transmissão e Comercialização de Energia Elétrica (Sindenel), Solomar Pereira Rockembach, na Assembléia Legislativa, durante sessão da Comissão Permanente de Fiscalização.
O documento, segundo Rockembach, mostra que Pimentel ainda orientou para que os fundos de renda fixa no Banco Santos também fossem mantidos já que o administrador tinha patrimônio líquido superior a R$ 300 milhões, como recomendado no relatório técnico preparado para a empresa de consultoria PPS Performance.
A orientação, segundo Rockembach, foi na contramão do que havia solicitado o Comitê de Investimentos da Fundação Copel, que em abril pediu para que todos os fundos fossem transferidos do Banco Santos e do Banco Panamericano. A orientação de Pimentel diz para ''não substituir''. Quanto ao Panamericano, Pimentel argumentou que as aplicações estavam enquadradas na Política de Investimentos da Fundação Copel e por isso não deveriam ser alteradas. ''Quando ele (Pimentel) mandou o e-mail, verificamos a situação e resolvemos manter os investimentos. Mas somente fizemos isso porque todas as aplicações estavam condizentes com o regimento e o estatuto da fundação. Fizemos tudo dentro da legalidade. Caso contrário, poderia ser o papa nos dando orientações que não seguiríamos'', argumentou Elzio Batista Machado, diretor financeiro da Fundação Copel.
''Nos causa muita preocupação esse tipo de recomendação. A orientação custou um prejuízo gigantesco aos cofres da fundação. Será que os aposentados e pensionistas não serão prejudicados?'', questionou Solomar Pereira Rockembach. Quando sofreu a intervenção, o Banco Santos gerenciava R$ 114 milhões da Fundação Copel em fundos de renda fixa custodiados pelo Banco Itaú e tinha outros R$ 36,4 milhões em investimentos de risco (CDB's). Os investimentos de risco estão sob intervenção do Banco Central, acusado de omissão pelos diretores da Fundação Copel.
O presidente da Fundação Copel, Murilo Batista Júnior, disse que foram reduzidos os investimentos com o Banco Santos de dezembro de 2003 para novembro de 2004. Quando teria assumido o banco, ele teria analisado que cerca de R$ 331 milhões estavam sendo gerenciados pelo administrador paulista. ''Resolvemos diluir para evitarmos riscos e aumentarmos a lucratividade'', analisou ele. O presidente da Comissão de Fiscalização e Controle da Assembléia Legislativa do Paraná, Neivo Beraldin (PDT), criticou os investimentos no Banco Santos, que possuía apenas uma agência bancária no Brasil. ''Com tantas instituições públicas sólidas, perguntamos o porquê desses investimentos num banquinho de malandro. Qual a vantagem para a Fundação Copel? Estava na cara que era malandragem'', apontou o parlamentar.
Machado disse que a culpa do prejuízo da Fundação Copel com o Banco Santos não pode ser atribuída aos diretores ou ao órgão gestor da entidade porque o Banco Central não dava qualquer indicativo sobre os problemas financeiros da instituição. ''Outros 64 fundos tiveram prejuízos'', justificou ele. O patrimônio líquido da instituição de fins previdenciários atualmente é de R$ 3,1 bilhões.
A Folha procurou a assessoria de imprensa da Copel durante toda a tarde de ontem. Entretanto, os assessores não retornaram os telefonemas da reportagem.

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