Brasília - Quem batiza boa parte das operações da Polícia Federal é um delegado que não gosta de aparecer na mídia, apesar de comandar missões que ganham grande repercussão. O delegado Zulmar Pimentel, diretor-executivo da PF, o segundo na hierarquia da corporação, foi quem deu o nome de Anaconda à operação que prendeu policiais e juízes em São Paulo.
Por vezes, os nomes são sugeridos pelos próprios delegados responsáveis pelas missões, mas a palavra final fica com Pimentel, um delegado amazonense aposentado que não dispensa em seu paletó dois distintivos: o da PF e o do Vasco da Gama, seu clube do coração. Muitos optam por nomes que simbolizem alguma das características da ação planejada, como a Operação Lince, realizada em Rondônia há duas semanas - com rapidez que os policiais consideram comparável à do felino africano.
Para simbolizar o combate à biopirataria, o delegado Jorge Barbosa Pontes, coordenador de combate aos crimes ambientais, batizou sua operação de Drake, numa referência ao famoso pirata inglês. Mas quando há policiais sob suspeita, normalmente a escolha recai em nomes de cobras. Antes da Anaconda, houve as operações Sucuri 1, no Rio, e Sucuri 2, em Foz do Iguaçu, cuja meta era prender agentes corruptos. A exceção foi a Operação Águia, realizada no Amazonas, que prendeu 16 policiais militares e um delegado.
Para alguns delegados, os nomes surgem durante a fase de investigações. A Operação Diamante, que prendeu o traficante Leonardo Dias Mendonça e outras 32 pessoas, recebeu o nome pelo fato de Léo ter iniciado seus negócios contrabandeando diamantes em Roraima. A Cavalo de Tróia, que levou para a cadeia uma quadrilha de hackers que agia em contas correntes, foi batizada em ''homenagem'' ao programa que se instala no computador, por meio da internet, e deixa o equipamento vulnerável a invasões.
A mais recente operação feita pela PF, em Roraima, que levou para a cadeia mais de 40 pessoas, recebeu, na opinião dos próprios policiais, o nome mais original do ano: Praga do Egito. Aproveitando o fato de a população do Estado tachar de gafanhotos os funcionários fantasmas que devoravam por mês R$ 5,5 milhões dos cofres públicos, a Polícia Federal adotou o nome, numa alusão à punição dada por Deus ao Egito, que teimava em não libertar o povo hebreu da escravidão.

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