Curitiba - O empresário Paulo Pimentel (PMDB) disse ontem, em entrevista à Folha, que está arrependido de ter apoiado a reeleição do governador Jaime Lerner (PFL) para o governo do Estado, na eleição de 1998. Ele acredita que se Lerner tivesse deixado o governo na época, não teria se desgastado politicamente. ''Eu sempre disse que ele teria que explicar para a população tudo o que parecia estranho para a população. Ele ficou quieto. Vai ter que responder para a Justiça quando deixar o governo''.
Pimentel acredita que o próximo governador vai abrir sindicâncias para saber a real situação econômica do Estado. As sindicâncias passariam, necessariamente, pelo estudo da ''falência'' e da ''corrupção'', descoberta segundo ele dentro da Banestado Leasing, e pela explicação dos títulos podres comprados pelo Banestado privatizado durante o governo Lerner. ''Acho que o próximo governador deve levantar todos os erros e entregar os problemas para o Ministério Público. Lerner vai ter que se explicar. Se não para nós, para a Justiça''.
A decepção de Pimentel com Lerner começou em 1998, quando Pimentel tentou disputar o Senado pela segunda vez. Um acordo branco pôs fim ao projeto do ex-governador. A coligação de Lerner não lançou candidato ao Senado, beneficiando assim a candidatura de Alvaro Dias (na época no PSDB). No ano passado, Pimentel descobriu que jamais esteve filiado no PFL, o que abriu ainda mais as feridas entre ele e Lerner. (L.P.)

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