Pimenta da Veiga enfrenta obstáculo como articulador
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O novo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB-MG), começa o ano de 1999 com uma missão especial: vai cuidar informalmente das negociações políticas de Fernando Henrique Cardoso com os parlamentares. Apenas informalmente, porque, diante das reações negativas dos políticos do PMDB e do PFL, o presidente da República preferiu não oficializar a nomeação, como aconteceu com Sérgio Motta - a quem Pimenta da Veiga substitui no Ministério.
Pelas contas feitas por analistas, os chamados caciques políticos entram na nova legislatura com mais poder de fogo, principalmente o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que em 1994 tinha ascendência sobre 20 deputados federais eleitos na Bahia e agora ampliou o número para 28. A bancada malufista também cresceu, passando de 14 para 23 deputados federais, se bem que as divergências com o prefeito Celso Pitta possam minar em parte esse avanço.
E o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), que conta com a ajuda da filha, a governadora reeleita Roseana Sarney (PFL-MA), e conseguiu a nomeação de seu filho Zequinha para o novo ministério de FHC, passou de 18 para 20 deputados sob sua influência.
Diante do novo quadro político, porém, esses números podem oscilar, dependendo das circunstâncias. Da parte do novo articulador político do governo, há uma certeza: A tarefa será muito grande e dependerá de uma intensa colaboração entre o Executivo e o Legislativo.
Uma das prioridades é a votação do aumento da alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que o governo quer ver aprovada até 20 de janeiro, no Senado. Na Câmara, pelas previsões do líder Arnaldo Madeira (PMDB-SP), a proposta só deverá ser aprovada em março, para entrar em vigor a partir de julho, depois da noventena de abril a junho.
Além da influência na votação de projetos de grande relevância, os chefes políticos batalham cargos para seus aliados no segundo escalão do governo, em organismos como a Caixa Econômica Federal - reivindicada pelo PFL pernambucano - e Petrobrás, cobiçada pelo PMDB. Nessa batalha, as maiores pressões dos partidos são no sentido de acomodar parlamentares que não conseguiram se reeleger.
Da parte do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, uma de suas principais exigências é a de que o governo federal aja com mais rigor contra os Estados que ameaçarem dar o calote na dívidas públicas, sem ceder a pressões.


