Maringá - Após quatro dias de espera, a família de Marcos Martins, 42 anos, prestou ontem as últimas homenagens ao piloto do avião Cessna 560 XL que levava o presidenciável Eduardo Campos (PSB) e que caiu na manhã da última quarta-feira, em Santos (SP). Martins foi enterrado em Maringá, cidade onde cresceu.
O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo no fim da tarde de sábado e foi trasladado de Guarulhos por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), chegando à cidade paranaense às 20h30. O enterro foi ontem às 12h20.
A despedida foi acompanhada por cerca de 100 pessoas, entre parentes e amigos, além do deputado estadual Wilson Quinteiro (PSB). O governo do Estado de Pernambuco e o prefeito de Recife, Geraldo Júlio de Mello (PSB), enviaram coroas de flores.
Junto com os dois filhos, de sete e dois anos, a mulher do piloto, Flávia Tatiana Vargas Martins, se emocionou durante a cerimônia. Ela preferiu não falar com a imprensa. Martins deixa ainda pai, mãe e dois irmãos.
O irmão Márcio Martins, que também é piloto e tem experiência com o modelo Cessna, conversou com os repórteres. Ele lamenta a suposta falha no Cockpit Voice Recorder (CVR), equipamento que grava a conversa dentro da cabine, encontrado sem registros. Segundo Márcio, a viagem entre o Rio de Janeiro – de onde a aeronave havia decolado – até Santos dura cerca de 35 minutos. "A gente só vai saber realmente o que ocorreu se a gravação for recuperada", afirma.
O tempo de voo e a intimidade com o Cessna teriam sido exigências de Eduardo Campos para contratar o piloto de Maringá. "O sobrinho do Eduardo (Campos) diz que o Marquinhos (Marcos Martins) tinha o avião nas mãos. Confiava plenamente nele", declara.
Outro piloto presente no velório, Carlos Roberto Grou, é marido de uma prima da mulher de Marcos. Ele estranha a ausência da gravação. "A partir do momento em que se inicia o voo, a gravação começa. Não tem motivo para não gravar", diz.
Tio do piloto, o aposentado José Roberto Finessi descarta sabotagem. "A tragédia ocorreu depois de o avião não ter conseguido pousar e arremeter. Se fosse sabotagem, teria ocorrido ainda no trajeto. Falar nisso é imbecilidade", dispara.
Mas, ele também estranha a ausência de dados sobre o acidente nos equipamentos do avião. E suspeita de uma possível colisão com drones antes da queda. "O ser humano, quando causa tragédia, tenta esconder o que ocorreu para não aparecer culpa sobre ele. Se existe algum culpado, tentarão esconder o jogo por esse motivo", lamenta.

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