PIC vai investigar denúncia de Requião
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quinta-feira, 11 de maio de 2006
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Ministério Público (MP) Estadual informou ontem que a Promotoria de Investigação Criminal (PIC) de Curitiba vai apurar a denúncia feita pelo governador Roberto Requião (PMDB) em uma reunião pública, na última segunda-feira, de que um banco privado teria oferecido propina para atrair o dinheiro do fundo de pensão estadual. O governador não disse o nome da instituição financeira, apenas a chamou de banco de bocha, e perguntou se algum prefeito, entre os presentes, já havia recebido proposta semelhante. Somente o prefeito de Fazenda Rio Grande respondeu afirmativamente. Na ocasião Requião pediu que o superintendente da Polícia Federal (PF) no Paraná, Jaber Saadi, que estava presente na reunião, investigasse também o caso.
A denúncia foi feita por Requião na reunião Operação Mãos Limpas, que acontece toda semana para discutir assuntos referentes à sergurança pública e uma vez por mês é aberta à imprensa. O governador afirmou que este banco privado lhe oferceu a devolução de 8% do dinheiro investido (R$ 240 milhões) por fora. Na última terça-feira Requião voltou a repetir o assunto na reunião semanal do secretariado, e lá os prefeitos de Colombo, Almirante Tamandaré e União da Vitória teriam dito que também receberam a mesma proposta. O coordenador da PIC, promotor Paulo Kessler, informou, por meio de nota, que o MP estadual ainda está na fase de planejamento da investigação.
A nota do MP estadual diz também que será formada uma força-tarefa entre MP-PR e Polícia Federal para acompanhar a situação. Entretanto, a PF informou ontem à Folha, por meio da assessoria de imprensa, que no momento não há investigação já que não houve denúncia formal e nem apresentação de documentação.
O delegado regional do trabalho no Paraná, Geraldo Seratiuk, que também estava presente na reunião, fez mais um alerta após a denúncia do governador. Segundo um levantamento feito pelo próprio governo do Estado, 170 das 399 prefeituras do Paraná possuem fundo de pensão em vez de contribuir para o INSS. Seratiuk alertou que os servidores devem ficar atentos para o trabalho destes gestores e devem saber que têm direito a assembléias e reunião sobre o fundo. A grande maioria deles foi criada sob orientação de consultorias de instituições financeiras privadas. E os gestores dos fundos pela prefeitura normalmente são pessoas de confiança do prefeito, lembrou.
Seratiuk sugeriu ao MP
estadual que, além de investigar, faça um mapeamento de onde estes fundos estão aplicados, de que forma e porque estão sendo aplicados. O delegado regional do trabalho encaminhou ofício ao governdor pedindo que o Tribunal de Contas (TC) também faça a investigação.


