Curitiba - O promotor da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) João Milton Sales, responsável pela investigação das interceptações telefônicas envolvendo o policial civil Délcio Rasera, disse que a quantidade de armas e munição levanta suspeita de ''ligação extra com o crime organizado''. ''A sensação que eu tive quando eu abri aquele cofre (no escritório de Rasera) foi de que eu estava entrando num bunker de guerra'', afirmou. Sales quer saber agora a origem do arsenal. O promotor comentou que as armas de Rasera são do mesmo tipo que as usadas em atendados com os que aconteceram em São Paulo e por quadrilhas de sequestro e assalto a banco.
Sales vai pedir explicações ao Exército. ''Eu gostaria que o Exército me explicasse como dá autorização para ter tanta munição desse jeito. Porque não justifica ele ter mil balas de fuzil. Aquilo é arsenal de guerra e não de colecionador. Até porque para colecionar munição é figurinha repetida. Quem tem uma tem todas'', argumentou. ''E é munição cara. Mesmo que ele seja atirador. Ou ele tem muito dinheiro para literalmente jogar fora ou aquela munição tem outra função que a gente não sabe e tem que descobrir'', completou.
A PIC deve ofercer denúncia à Justiça contra Rasera na próxima semana. Segundo Sales, os documentos e fitas fruto das escutas clandestinas apreendidas com o policial e com outros membros da quadrilha ainda estão sendo analisados pelos peritos. A PIC desarticulou a quadrilha no último dia 5 e, além de Rasera, outras cinco pessoas também foram presas. Rasera estava cedido para a Casa Civil, do governo do Estado. Mas, segundo a assessoria governo, quando foi preso já estava à disposição da polícia novamente. (A.B.)

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