Curitiba - A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) vai reabrir este mês as investigações sobre os supostos grampos telefônicos que teriam sido instalados na campanha eleitoral de 2000 em comitês do PMDB e do candidato do PT à Prefeitura de Curitiba, deputado estadual reeleito Angelo Vanhoni. Para o dia 20 já estão marcados os depoimentos do cabo Luiz Antonio Jordão e do advogado criminalista Peter Amaro de Sousa. Jordão foi o primeiro a denunciar um esquema de escuta telefônica que teria sido montado no quarto andar do Palácio Iguaçu, a sede do governo estadual. Assinou a convocação das primeiras testemunhas a promotora de Justiça Monica Sakamori.
A reabertura das investigações é uma resposta a um pedido da Procuradoria Geral da República que recebeu no ano passado um pedido formal de apuração dos fatos da assessoria jurídica de Vanhoni. O Ministério Público Federal resolveu remeter os autos para que a PIC realizasse a oitiva das testemunhas. ''Isso acontece com muito atraso. No ano passado tínhamos muitas informações sobre o crime de escuta telefônica ilegal na campanha eleitoral. Não só em comitês eleitorais do PMDB como também do PT. Fomos vítimas de um esquema de espionagem'', declarou Vanhoni.
As escutas telefônicas em comitês eleitorais e em prédios públicos foram investigadas preliminarmente pela CPI da Telefonia da Assembléia Legislativa, suspensa por força judicial no dia 17 de junho do ano passado. A CPI investigaria problemas com empresas telefônicas e estendeu o trabalho para investigação de grampos após denúncia feita por Jordão em entrevista exclusiva à Folha da existência de um esquema de escuta telefônica no Palácio Iguaçu sob o suposto comando do então secretário especial da Chefia de Gabinete do Governador, Gerson Guelmann, e com o conhecimento do secretário-chefe da Casa Militar, coronel Luiz Antonio Borges Vieira.
Guelmann e Vieira negam qualquer relação de seus nomes com o suposto esquema e dizem desconhecer qualquer esquema de escuta telefônica dentro ou fora do Palácio Iguaçu.
Em outubro de 1999, as primeiras evidências de grampo no Palácio Iguaçu foram verificadas com a constatação de grampo no escritório da ex-secretária de Estado da Administração, Maria Elisa Paciornik. Maria Elisa percebeu a existência de grampo por causa do vazamento de informações sigilosas de dentro de seu gabinete. Outro que teria sido alvo de grampo telefônico teria sido o ex-secretário de Comunicação Rafael Greca de Macedo, em outubro de 1999, quando ainda era ministro do Esporte e Turismo. A escuta foi feita no Instituto Farol do Saber e confirmada pela Polícia Federal.

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