PIC pode denunciar presidente da Sercomtel
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O delegado da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, Alan Flore, admitiu ontem pela primeira vez que o presidente da Sercomtel, João Rezende, pode ser denunciado por quebra de sigilo telefônico ante a violação da lei 9296/96 em seu artigo 10º. Se aceita pela Justiça, a denúncia implica em multa e reclusão de dois a quatro anos.
Flore fez a declaração ontem de manhã após o depoimento do presidente da telefônica londrinense. Rezende foi indiciado semana passada no inquérito que apura quebra de segredo de Justiça e vazamento de informações privilegiadas a respeito de extratos telefônicos do secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, e do prefeito Nedson Micheleti (PT). O material foi encontrado com o detetive particular Paulo Rodrigues, preso em outubro passado por porte ilegal de munição, mas em depoimento anterior dele, e de funcionários da Sercomtel ficou constatado que o próprio Rezende havia solicitado fotocópias de extratos semelhantes.
Na avaliação do delegado da PIC, o indiciamento formal pode ser feito ''porque há a comprovação'' de que Rezende incorreu na prática de infração penal. ''O vazamento dessas informações é de extrema gravidade, pois pode colocar em risco até a segurança das pessoas que estão realizando essas investigações'', considerou Flore, garantindo que as medidas a serem adotadas serão apuradas ''com o rigor que se faz necessário''.
Flore explicou que, legalmente, ''sob hipótese alguma o presidente da Sercomtel poderia ter solicitado fotocópias das contas detalhadas'', o que violaria algo considerado segredo de Justiça. A PIC investiga se há indícios de que Rezende teria alguma relação com o detetive preso e já liberado. ''Não ficou comprovada a ligação efetiva entre os dois, razão pela qual pode haver o envolvimento de outras pessoas'', comentou o delegado. ''Mesmo que em todas as declarações (João Rezende) tenha dito que todas as fotocópias foram destruídas por ele mesmo, não existem provas disso. Só o fato de fazer as cópias já implica em violação de leis'', afirmou.
Semana passada o coordenador da PIC, Leonir Batisti, havia dito que as contas encontradas com o araponga poderiam ser usadas tanto para beneficiar quanto para extorquir alguém. Ontem, o delegado da Promotoria julgou de ''extrema gravidade'' o vazamento de informações, mas não confirmou nem desmentiu a tese do colega. ''Ou foi negligência, porque é frágil o esquema de segurança de informações dentro da empresa, ou houve má intenção na saída dessas informações sigilosas. O que vale agora é: podemos estar sendo monitorados por um detetive particular que sabe todos os nossos passos, inclusive as nossas investigações'', concluiu.
Ainda conforme o delegado, a próxima etapa do inquérito antes da conclusão do relatório é o segundo depoimento do detetive Paulo Rodrigues. Entretanto, isso só deve acontecer quando ele receber a intimação o que não foi feito ainda porque os policiais não o encontraram para entregá-la. ''Ele não está foragido, apenas mudou de residência, mas não de Estado'', antecipou-se Flore. Como a infração é idêntica à que o delegado diz ter sido praticada por Rezende, a pena a Rodrigues em caso de julgamento é a mesma.


