PIC pede força-tarefa para grampos
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sábado, 16 de dezembro de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O coordenador da Promotoria de Investigação Criminal (PIC), Paulo Kessler, e outros três promotores que atuam no órgão, querem a constituição imediata de uma ''força-tarefa'' para apurar os desdobramentos das investigações do esquema de escutas telefônicas ilegais supostamente liderado pelo policial civil Délcio Augusto Rasera. O pedido de reforço da equipe foi encaminhado ao Conselho Superior do Ministério Público (MP), na última quarta-feira e discutido ontem em reunião com o procurador-geral de Justiça, Milton Riquelme de Macedo.
Kessler esclareceu que o processo que tramita no Fórum de Campo Largo refere-se a alguns dos casos de grampo em que já haviam sido coletadas provas materiais. ''É um caso de grande envergadura penal com reflexos de ordem cível e de improbidade administrativa que também deverão ser investigados'', afirmou o promotor, justificando a criação da força-tarefa. A PIC, responsável pela operação que culminou com a prisão de Rasera e outros acusados, quer apurar, por exemplo, como o policial conseguia conciliar as atividades em duas empresas de sua propriedade com a de servidor público lotado na Casa Civil.
Para embasar o pedido da força-tarefa, no documento encaminhado ao Conselho Superior do MP, os promotores fazem um desabafo da pressão da qual a PIC estaria sendo alvo. São citadas as representações propostas contra os promotores -por Rasera e pela coligação Paraná Forte- junto à Corregedoria-Geral do MP e a sindicância instaurada pelo Comando-Geral da Polícia Militar para apurar as atividades desempenhadas pelos policiais que atuavam junto à PIC.
Kessler, também, rebateu as declarações feitas por Rasera à CPI do Grampo, sobre arbitrariedades no trabalho de busca e apreensão em sua casa e que sua prisão teve cunho político. ''Eu só posso reputar essa afirmação como estratégia de defesa. Ele (Rasera) quis se imputar a condição de preso político'', afirmou.
O promotor negou que a PIC tenha proposto qualquer termo de acordo ou delação premiada com o técnico em telefonia Isaque Pereira da Silva como sugeriu Rasera para justificar a acusação de ter encomendado grampos. Em seu depoimento à PIC, Silva afirmou ter feito escutas a pedido do policial.


