PIC nega investigação de grampos telefônicos
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sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O coordenador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, promotor Leonir Batisti, garantiu ontem que o órgão não está investigando suspeita de grampos nem em telefones do prefeito Nedson Micheleti (PT) nem dos do governo ou de membros da administração. A declaração contraria desconfiança do próprio Nedson, exposta em entrevista concedida anteontem à Folha.
Segundo o coordenador, a única diretriz com a qual a PIC vem trabalhando desde que as investigações começaram, há menos de um mês, é a do vazamento de interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, de dentro da Sercomtel. Em outubro, a prisão do suposto detetive Paulo Rodrigues originou as diligências da Promotoria, já que com ele foram encontradas contas detalhadas do prefeito e do secretário municipal de Obras e Pavimentação, Aloysio Crescentini de Freitas, além de outros documentos licitatórios sigilosos.
''Não temos notícias de apurações paralelas à nossa; por enquanto, estamos só em período de análise do que foi levantado'', declarou Batisti, referindo-se aos depoimentos tomados de funcionários da Sercomtel sobre a forma como é feito o trânsito desse tipo de informação internamente. ''Queremos saber ao certo qual o caminho dessas interceptações, como ele é organizado'', destacou o promotor, que não quis comentar se os funcionários ouvidos são ou não do alto escalão da telefônica londrinense.
Por outro lado, uma fonte ligada à Sercomtel garantiu ontem à reportagem que a empresa está, sim, apurando a possibilidade de grampo pelo menos no telefone do prefeito. Ao mesmo tempo, outra pessoa que não quis se identificar informou que uma funcionária ligada à diretoria teria inclusive sido presa pela venda dessas interceptações. Batisti negou. ''Tratam-se de especulações'', resumiu.
Indiciado em outubro por porte de arma, o suposto araponga Paulo Rodrigues não tinha ontem mais nenhum registro de ação na 4 Vara Criminal de Londrina, a despeito do informado pela própria PIC. Anteontem, um atendente do local, no Fórum, havia dito à Folha que Rodrigues teve o processo em questão arquivado. Ontem, funcionários do cartório e do setor de Distribuição negaram a existência de qualquer ação em que ele fosse parte.


