A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) está apurando a denúncia de apropriação indébita por parte do Grêmio Esportivo dos Operários da Prefeitura de Londrina. A denúncia assinada pelo servidor aposentado Mauro Lúcio de Oliveira foi exposta na sessão de ontem na Câmara de Vereadores de Londrina. Pelos documentos apresentados pelo petebista Luiz Carlos Tamarozzi, o Grêmio teria recebido dos servidores associados o desconto para pagamento de seguro de vida coletivo, mas não teria repassado o arrecadado a três seguradoras contratadas.
No final da tarde, os vereadores protocolaram o pedido de Tamarozzi de abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o assunto, após longa discussão no Plenário. A criação da CEI será votada amanhã e, se aceita, será composta por cinco vereadores.
Conforme a denúncia admitida pelo promotor Cláudio Esteves, da PIC, o Grêmio não teria repassado às seguradoras o desconto aceito pelos funcionários na folha de pagamento e realizado pela Prefeitura, que repassa o valor à entidade. Somente uma das apólices vencidas seria de R$ 80 mil, em um total que pode chegar a R$ 200 mil, conforme a diretoria atual do Grêmio. ''Para piorar, uma quarta seguradora foi contratada ano passado: isso vai diminuir o prêmio e aumentar a taxa'', acredita Tamarozzi. Já Esteves disse que, por ora, apenas solicitou informações da Prefeitura e do Grêmio para que apresentem documentos que expliquem como eram feitas as transações. ''Se houver indícios de que realmente houve apropriação indébita, abriremos inquérito'', resumiu Esteves.
O presidente empossado no Grêmio em maio de 2004, Luiz Bispo da Silva, recebeu a Folha na sede do clube, ontem, acompanhado do auditor Carlos Rodrigues e de um corretor da seguradora contratada em dezembro passado. Silva e Rodrigues acusam o ex-presidente, Glenisson Rodrigues, de ter cometido ''diversas irregularidades'' nos oito anos em que ficou no cargo, entre as quais o não pagamento à Bradesco Seguros, dona das outras duas empresas contratadas. ''Quando assumi, (ex-diretores) queriam que eu pagasse quatro parcelas atrasadas (mais de R$ 40 mil cada) à seguradora, mas endividaria o clube. Até hoje estamos em negociação com a Bradesco'', disse, negando que o contrato firmado com a quarta empresa, a Real Seguradora, tenha afetado os valores do desconto (de R$ 9 a R$ 70 mensais) e do prêmio pago (de R$ 6 mil a R$ 80 mil). Segundo o auditor, ''em breve'' a entidade entrará com ação civil de responsabilidade contra o ex-presidente ante a auditoria concluída no fim de 2004.
A Folha tentou contato com Glenisson Rodrigues, hoje funcionário da Secretaria de Obras, mas ele não foi localizado. Seu filho disse que ele está em férias no Piauí e só deve retornar dia 2. Também ontem, o Legislativo encaminhou à Secretaria de Gestão Pública o projeto de lei que pede obrigatoriedade de habilitação prévia na Secretaria aos interessados em segurar servidores municipais. ''É uma forma de acabar com intermediadores: o funcionário escolhe a empresa e a Prefeitura é que repassa a ela o desconto. Evita desvio e barateia os valores'', acredita o líder do prefeito na Câmara, Gláudio Lima, autor da medida.

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