PIC investiga envolvimento de Khury
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de maio de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) investiga o suposto envolvimento do ex-presidente da Assembléia Legislativa Anibal Khury, que morreu em agosto do ano passado, com o desmanche de veículos e o crime organizado. As investigações iniciaram com a prisão de Joarez França Costa, o Caboclinho, acusado de receptação e venda de veículos roubados. Na casa de Costa, teriam sido encontradas fotografias com políticos e amigos e cadernos com os nomes de pessoas que eram beneficiadas com doações de recursos obtidos com o roubo de carros e lavagem de dinheiro.
Numa primeira fotografia, obtida pela Folha, Khury aparece abraçado com Joarez França Costa e outras duas pessoas. Na segunda foto, Khury aparece ao lado de Antonio Luiz da Silva, vulgo Zóio, acusado de ser pistoleiro e aterrorizar o município de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Ele teve a prisão preventiva decretada esta semana pelo assassinato de Jesael Cubas, cujo mandante do crime teria sido segundo apura a Delegacia de Rio Branco o próprio Joarez França Costa.
Estamos investigando todas estas denúncias. Ainda temos outras de homicídio que pesam sobre o Zóio, declarou o delegado Sebastião Gaspar. Entre 8 a 10 homicídios ainda estão sendo investigados.
Em outra fotografia, aparece uma frota de veículos que teria sido doada pelo dono de desmanches, Paulo Mandelli, para a campanha a deputado de Anibal Khury, em 1998. Na ocasião, Khury foi o deputado estadual mais votado no Paraná, com 108,5 mil votos. Já está patenteada a relação do deputado Anibal Khury com os donos de desmanches. Ele recebia dinheiro dos proprietários de desmanches, afirmou o promotor Vani Bueno, da PIC, ao declarar que o nome do parlamentar foi lembrado por diversas vezes no caderno de doações encontrado por policiais militares e promotores de Justiça.
O nome de Anibal Khury também foi citado durante a permanência da sub-comissão da CPI Nacional do Narcotráfico em Foz do Iguaçu. O investigador Paulo Roberto de Oliveira, do Grupo Tigre da Polícia Civil, acusou ele e o ex-secretário de Estado de Segurança Pública, Candido Martins de Oliveira, de receberem propinas de delegacias da região Oeste. Para manter um delegado em Foz do Iguaçu, Khury teria recebido de acordo com as denúncias US$ 50 mil.
Ontem, a reportagem da Folha tentou entrar em contato com a família do deputado, mas não conseguiu retorno. O ex-assessor de Khury, Rafael de Lala, disse que não quer falar sobre o assunto. Não tenho elementos para comentar isto, afirmou. Recentemente, Rafael de Lala divulgou no jornal Impacto Paraná um artigo defendendo Anibal Khury das denúncias feitas na CPI de Foz do Iguaçu. Repelimos com ênfase as referências injuriosas assacadas contra o saudoso deputado Anibal Khury, declarava.
Anibal Khury era considerado o guru da política paranaense, com grande influência nas mais importantes decisões do Estado. Ele se elegeu pela primeira vez em 1954 como deputado estadual e cumpriu oito mandatos parlamentares.


