A Sercomtel é alvo de investigação em Londrina pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Conforme o promotor Claudio Esteves, informações e documentos sigilosos teriam vazado da empresa. ''Houve vazamento da mais alta gravidade, com alto prejuízo para Londrina'', garantiu o promotor. Segundo ele, vários documentos solicitados pela Justiça à Sercomtel, para embasar ações civis e criminais, foram parar nas mãos de um detetive particular da cidade. Com ele foram encontradas também contas telefônicas detalhadas de diferentes assinantes. O detetive acabou detido, não por esse delito, mas porque estava de posse de munição. A PIC chegou até ele quando investigava outro caso e acabou descobrindo os documentos da Sercomtel.
Esteves não quis adiantar quem teria liberado os documentos porque isso ainda está sendo investigado. Porém, ele observou já ter indícios e garantiu: ''não são funcionários subalternos''. O promotor não delimitou o que ou quem teria sido alvo da espionagem. Uma das linhas parte do pressuposto de que a própria PIC estaria sob investigação de terceiros. Além da PIC, as polícias militar e civil e pessoas físicas também podem estar sendo investigadas.
De acordo com Esteves, o detetive já foi ouvido pela promotoria mas apresentou uma versão fantasiosa sobre o caminho percorrido pelos documentos ate chegar a ele. ''Um coelhinho da Páscoa vestido de Papai Noel entregou para ele'', comparou o promotor, mostrando quão vago foi o depoimento do detetive. Funcionários da empresa também já prestaram esclarecimentos.
Há a suspeita de que detetives particulares fazem grampos clandestinos em Londrina, disse o promotor. ''Certamente eles (os detetives) têm acesso a dados telefônicos clandestinamente, de forma ilícita'', apontou. Conforme apuração da Folha, conta telefônica detalhada de alto representante da prefeitura também teria vazado da Sercomtel.
O presidente da Sercomtel, João Rezende, informou ter aberto um procedimento interno para investigar o possível vazamento de documentos da empresa. Segundo ele, desde 6 de outubro a empresa está fazendo uma sindicância para descobrir de onde teriam vazado os documentos e as informações das contas. Ele destacou que a empresa tem 600 funcionários mas que todos os procedimentos para apurar a denúncia foram tomados. Na visão de Rezende, interesses políticos podem ter motivado a ''venda'' dessas informações sigilosas. ''Não temos a certeza se foi daqui que esses documentos vazaram. Eles transitam em cartórios e no Fórum'', argumentou Rezende.
A investigação contra a Sercomtel foi citada pelo candidato derrotado Antônio Belinati (PSL) durante debate promovido pela TV Tarobá no segundo turno das eleições. O processo corria sob sigilo e o promotor Claudio Esteves preferiu não dar informações. Como o caso se tornou público e a imprensa persistiu atrás de esclarecimentos, Esteves concordou em dar algumas informações, sem detalhar entretando o encaminhamento para não prejudicar a investigação. O promotor não sabe como Belinati tomou conhecimento do processo e afirmou suspeitar que funcionários da própria Sercomtel podem ter repassado os dados por interesse político.

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