PIC faz nova investida contra Chimelli
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2002
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) realizou ontem mais duas operações de busca e apreensão em residências do prefeito de Rio Branco do Sul, Bento Ilceu Chimelli (PSC). O prefeito, que se encontra foragido, está com sua prisão preventiva decretada desde que a polícia encontrou 18 armas e veículos com indícios de adulteração nos chassis em sua residência.
Chimelli não foi encontrado, mas em uma das residências a polícia prendeu Nilton de Paula, que estava com sua prisão preventiva decretada por homicídio qualificado. Um caminhão com suspeita de estar com seu chassi adulterado também foi encontrado.
Segundo o promotor da PIC Marcelo Balzer Correia, todo o material já encontrado está sendo submetido à perícias. ''Estamos analisando se as armas recolhidas na propriedade do prefeito podem ter sido utilizadas em assassinatos não solucionados acontecidos na região'', explicou Correia.
Em Rio Branco do Sul, os vereadores da cidade protocolaram ontem um pedido de cassação de Chimelli. De acordo com o vereador Sadi Ribas (PSB), uma comissão processante será instalada para, em 90 dias, ouvir a versão do prefeito sobre as denúncias formuladas contra ele. ''Além da apreensão das armas e dos veículos, há uma série de irregularidades administrativas que precisam ser esclarecidas'', comentou o vereador.
De acordo com Ribas, seis dos nove vereadores da cidade são favoráveis ao processo de cassação. O pessebista negou a versão apresentada pelo advogado de Chimelli, Cláudio Dalledone Júnior, que afirmou que as denúncias contra o prefeito são frutos de um complô político organizado pelos vereadores de oposição. ''O que aconteceu é que encaminhamos denúncias da população para serem apuradas. Mais de 40 pessoas já foram ouvidas a respeito do assunto'', disse.
Ribas afirmou que tanto os vereadores favoráveis à cassação como a promotora e a juíza da cidade, que foram as responsáveis pelos mandados de busca e apreensão, estão sofrendo ameaças de morte. ''Ontem mesmo recebi duas ameaças. Esse é o estilo do prefeito, mas isso tem que mudar. É coisa do passado esse coronelismo'', afirmou. O advogado do prefeito, Cláudio Dalledone Júnior, não foi encontrado ontem para posicionar-se sobre o assunto.


