Rubens Burigo Neto
De Curitiba
A partir de segunda-feira começam a prestar depoimento na Promotoria de Investigações Criminais (PIC), em Curitiba, os policiais e testemunhas (presas ou não) que depuseram na CPI do Narcotráfico. ‘‘Vamos ouvi-los onde tivermos melhores condições de segurança’’, antecipou o procurador de Justiça Dartagnan Cadilhe Abilhoa.
Ontem, Abilhoa iria submeter à análise do procurador-geral da Justiça do Paraná, Gilberto Giacóia, e ao secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda Ribas, os nomes de dez policiais militares e de cinco policiais civis que vão auxiliar os sete promotores da PIC nas investigações sobre a ligação do alto comando da Polícia Civil com o tráfico de drogas e o desmanche de carros roubados.
‘‘Não existe nenhuma caça às bruxas. Num momento como este não podemos nos dar ao luxo de brigarmos com policiais ou com o Judiciário’’, afirmou Abilhoa, ao ser questionado sobre a credibilidade dos policiais que vão auxiliar a PIC. O procurador garantiu que está se esforçando ‘‘ao máximo’’ para concluir as investigações e iniciar os processos penais até o encerramento das prisões temporárias dos policiais e traficantes presos.
Abilhoa acredita que algumas pessoas possam ser tornar fundamentais para o esclarecimento dos fatos veiculados durante a CPI, caso se disponham a fazer ‘‘delações efetivas e eficientes’’. ‘‘Se as denúncias forem verídicas e puderem incriminar outros envolvidos com o crime organizado, esses criminosos podem reduzir as penas deles de um terço até dois terços do que deveria ser cumprido’’.
O escrivão Paulo César Rodrigues, que trabalhava na Delegacia de Crimes Contra a Economia e Defesa do Consumidor (Delcon), se entregou ontem ao delegado Clóvis Galvão, responsável pelas buscas dos policiais que tiveram a prisão temporária decretada.
Galvão esperava que mais dois policiais na mesma situação se entregassem ainda ontem à noite. Continuam foragidos o delegado-geral exonerado Ricardo Képes Noronha, o delegado Mário Ramos e os investigadores Homero Andretta Baggio, Moacir Albuquerque, Marco Antônio Germano e Mauro Canuto Machado.

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