PIC busca alternativa para manter investigações
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sábado, 25 de novembro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público (MP) estadual, inicia na segunda-feira um estudo minucioso para retomar as investigações que estavam em curso na instituição e buscar alternativas para suprir a necessidade de pessoal capacitado para localização de testemunhas, obtenção de dados e vigilância (em casos em que tenha necessidade). A probabilidade é a de abrir um concurso público para oficiais de promotoria - capacitados para auxiliar os promotores públicos em trabalhos burocráticos. O modelo de oficiais de promotoria já é usado em estados como São Paulo.
A decisão foi tomada após o governo do Estado solicitar à PIC a desocupação do imóvel cedido em Curitiba desde 2001 (ainda no governo Jaime Lerner). No imóvel, trabalhavam os promotores de Justiça que se preocupavam com crimes cometidos por policiais civis e militares, narcotráfico e crime organizado. Lá estavam ainda funcionários do MP e policiais do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco). O Gerco foi criado em fevereiro de 2000 e atuava nas investigações internas da PIC. Quando foi criado, havia uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigava o narcotráfico no Brasil e que apontava a participação de policiais civis, delegados e a alta cúpula da Polícia Civil com o crime organizado.
Os policiais militares faziam o trabalho de coleta e análise de provas, guarda e localização de testemunhas. Eram todos integrantes do serviço secreto da PM - criado exatamente para investigar os seus pares (outros policiais militares). A idéia de juntar os trabalhos policiais e do Ministério Público deu tão certo, que o próprio governo do Estado criou outros organismos semelhantes ao Gerco - como o Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), que atua junto à Promotoria do Patrimônio Público; o Núcleo de Investigação de Crimes cometidos contra Crianças (Nucria), junto à Promotoria da Infância e da Juventude; e o Núcleo de Crimes contra a Saúde Pública, parceiro da Promotoria de Defesa e Apoio à Saúde Pública.
Com a desocupação do imóvel, o governo acabou com o Gerco (órgão investigativo da PIC). No dia 20 de novembro, o Chefe do Estado Maior da Polícia Militar solicitou a apresentação dos sete policiais militares que atuavam na PIC. ''Há um embaraço momentâneo nas nossas atividades com a saída dos policiais que faziam o trabalho investigativo. Principalmente na coleta de provas, no levantamento de campo e em diligências externas. O trabalho fica prejudicado'', confessou o promotor Paulo Kessler, coordenador da PIC no Paraná. Entretanto, Kessler acredita que os oficiais de promotoria poderão ajudar a agilizar o trabalho dos promotores na solução dos 400 procedimentos investigatórios em curso.
Kessler não acredita que a PIC perderá seu papel investigativo. ''Hoje 99% dos nossos trabalhos são de investigação técnica e 1% de investigação e ação policial. O MP não irá perder sua identidade e sua essência'', garantiu.


